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Abrapa reforça pedido de correção

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson  Pinesso, enviou esta semana documento ao secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, no qual reforça o pedido para atualizar o preço mínimo do algodão ainda na safra 2012/2013, dos atuais R$ 44,60/arroba para R$ 61,00/arroba.

No documento, Pinesso argumenta que a retração do preço da pluma, aliada à elevação dos custos de produção e à defasagem no preço mínimo do algodão, que não sofre reajuste há 10 anos, levou os cotonicultores a reduzir significativamente a área plantada na safra 2012/2013, estimada em 33%.

Pinesso calcula que, devido à redução da área plantada e à queda nos preços do algodão, haverá um declínio de 55% na receita da venda da pluma, com reflexos também no faturamento da indústria fornecedora de insumos, pois as vendas para a cultura do algodão caíram aproximadamente 35% em relação à safra passada. Ele alerta que a perda de renda ao longo da cadeia deve resultar na diminuição de 3% na arrecadação de impostos, valor estimado em US$ 195,95 milhões.

Pelos cálculos da Abrapa, a cotonicultura nacional movimentou na safra passada US$ 6,423 bilhões. Os cotonicultores investiram US$ 1,478 bilhão na compra de insumos agrícolas e outros US$ 214 milhões em máquinas. A geração direta de empregos no cultivo e manejo do algodão é estimada em 14.241 trabalhadores, resultando na movimentação de massa salarial de US$ 132,2 milhões.

Matéria publicada hoje no site www.agroolhar.com.br informa que “o governo federal já iniciou estudos para reajustar os preços mínimos praticados para os produtores de algodão, que enfrentam grave crise e tiveram redução de 33% na área plantada na última safra”, Segundo o repórter Vinícius Tavares, sediado em Brasília, o secretário de Política Agricola do Mapa, Neri Geller (foto), admite ter conhecimento de que o setor enfrenta uma forte concorrência internacional e promete buscar solução para o quadro.

"O algodão é uma atividade que gera muito emprego e que enfrenta uma disputa internacional muito forte. Os produtores estão tendo um custo bem acima do preço mínimo e isso precisa ser corrigido", afirmou Geller.
"Precisamos fazer, de fato, algumas mudanças em relação à política e estamos discutindo a recomposição dos preços mínimos para o algodão da mesma forma como fizemos em 2008 e que deu resultados na produção", completou o diretor de política agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto.

Em homenagem oferecida pelo setor produtivo rural de Mato Grosso a Geller em Cuiabá, no dia 31 passado, o  presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e seus Derivados, Sérgio De Marco, falando em nome da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), foi veemente na defesa do reajuste no preço mínimo do algodão.

 “Sabemos que quem autoriza esse reajuste é o Conselho Monetário Nacional (CMN), mas sem o pontapé inicial do Mapa isso não vai acontecer”, afirmou De Marco no evento, que contou com a presença do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho.

Na oportunidade, De Marco disse que o pleito dos produtores de algodão está no gabinete do ministro da Agricultura desde o ano passado por meio de ofício encaminhado pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e seus Derivados.

Defasagem – Em comparação a outras culturas, o algodão é a única com defasagem na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Entre 2003 e 2013, produtos como arroz, milho, soja e feijão tiveram reajustes variados entre 29% e 79,3%. “Quando estas culturas precisaram de reajuste, o governo agiu. Agora, somos nós quem precisamos e esperamos que o Ministério da Agricultura se sensibilize com a causa, assim como o Ministério da Fazenda”, diz Pinesso na matéria publicada pelo site Agroolhar.