Na próxima semana, representantes do sistema Better Cotton Initiative (BCI) virão ao Brasil para analisar o estudo de reconhecimento do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), desenvolvido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) a partir do pioneirismo do Instituto Algodão Social (IAS) – braço social da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA).
De acordo com o gestor de Projetos de Sustentabilidade da Abrapa, Denilson Galbero, a intenção não é unificar os programas, mas obter o reconhecimento de que o ABR atua da mesma forma que o BCI. “O ABR abrange quase tudo do sistema BCI, por isso vamos desenvolver estudos conjuntos de comparação de ambos para que o nosso programa seja reconhecido pelo Better Cotton Initiative”, explica.
Galbero lembra que a Abrapa é parceira de implementação do sistema BCI no Brasil, apoiando iniciativas locais e trabalhando em prol de um grande programa nacional de sustentabilidade. “Assim, na esteira de sucesso do Instituto Algodão Social (IAS), em Mato Grosso, e do Programa Socioambiental da Produção de Algodão (Psoal), que já existia em alguns estados, a associação uniu os dois protocolos num protocolo único nacional, criando o ABR”, explica. Lançado em setembro de 2012, o programa ABR está sendo implantado em todos os estados produtores de algodão na safra 2012/2013.
O estudo a ser feito pelo BCI juntamente com os técnicos da Abrapa deverá ser apresentado durante o 9º Congresso Brasileiro do Algodão, entre os dias 3 e 6 de setembro, em Brasília, durante a plenária “Sustentabilidade/Unificação dos Programas ABR e BCI”, que terá como destaque a participação do presidente do sistema BCI, Nicolas Petit.
Galbero lembra que a importância dos protocolos ABR e BCI está na busca por fibras de algodão produzidas com qualidade e sustentabilidade, que tem se tornado uma tendência crescente na produção e no mercado mundial. Grandes marcas do segmento têxtil já aderiram ao BCI e usam o algodão em pluma produzido em lavouras que desenvolvem as boas práticas agrícolas, com o respeito pela saúde, segurança e bem estar do trabalhador e a preservação do meio ambiente.
Isso tem feito crescer o número de cotonicultores que estão aderindo aos requisitos do BCI, principalmente na Índia, Paquistão e Brasil, que estão entre os maiores produtores mundiais de pluma. Do ano passado para cá, a adesão ao programa subiu de 68 mil para mais de 125 mil produtores nos três países, além do continente africano e da China, com produção, na safra 2011/2012, de 670 mil toneladas da fibra. Os representantes do BCI estarão no Brasil nos próximos dias 25 e 26.
O sistema BCI, como é conhecido, começou a ser implantado em fazendas mato-grossenses e de outros três estados brasileiros na safra 2010/11 e vem ganhando mais adesões a cada ano. Na safra 2011/12, 19 propriedades rurais de Mato Grosso adotaram o sistema e, na safra atual, esse número chega a 44. Se o programa ABR for reconhecido pelo sistema BCI, todas as fazendas que obtiverem a certificação ABR na safra 2013/2014 receberão a licença de venda BCI.