Os cotonicultores brasileiros gastaram aproximadamente R$ 1.6 mil por hectare para combater insetos nas lavouras na safra 2012/2013. Desse custo, 32% foram com as lagartas do gênero Helicoverpa spp; 20% com bicudo e 7% com outras pragas. O impacto desses gastos no custo da produção é de 31,5%, enquanto que nos Estados Unidos o comprometimento é de apenas 2,06%.
Os dados são da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apresentados pelo pesquisador e chefe adjunto da Área de Comunicação e Negócios (ACN), José Miranda, durante o 9º Congresso Brasileiro de Algodão (CBA), realizado em Brasília, na semana passada.
De acordo com Miranda, as perdas do Brasil com pragas chegaram a US$ 1.180 no ciclo 12/13, enquanto que os EUA só perderam US$ 125/ha no mesmo período. Os produtores rurais já amargam prejuízos de R$ 1,10 bilhão somente na cultura do algodão para controlar os insetos.
Participantes da mesa-redonda “Insetos no sistema de produção”, pesquisadores das empresas Bayer e Deltapine/Monsanto, Juliano César da Silva e Renato Carvalho, respectivamente, foram categóricos em afirmar a necessidade dos produtores rurais aderirem a áreas de refúgio, com uma ferramenta crucial para garantia da durabilidade de toxinas resistentes aos insetos.
“A adoção das áreas de refúgio é extremamente importante para preservar a biotecnologia BT. Aliado a outros procedimentos como monitoramento, controles químico e biológico da lavoura”, recomendou Juliano César.
Segundo ele, há resistência entre os agricultores em reservar esta área para manejo preventivo. “Apesar da resistência, é necessário aumentar a área de refúgio no Brasil para garantir a durabilidade das biotecnologias”, ponderou.
Renato Carvalho afirmou que as indústrias têm o desafio de implementar essas áreas nas propriedades. “Precisamos mais, porém, o mínimo de 5% já seria suficiente para o prolongamento das tecnologias. A proteína BT é muito restrita no mercado, é importante preservá-la”, disse.
Carvalho alerta para a necessidade de parar com o uso desenfreado de inseticidas e da pulverização calendarizada. “O Brasil tem, agora, oportunidade de retomar o Manejo Integrado de Pragas”, orientou Carvalho.