Um dos grandes desafios da cultura algodoeira é identificar e adotar novos métodos de controle de pragas e doenças que contribuam para garantir a sustentabilidade da produção da pluma brasileira no tripé social, ambiental e econômico, especialmente num momento em que os agricultores enfrentam o ataque de uma praga exótica: a lagarta Helicoverpa armigera. Esse desafio levou um grupo de lideranças do setor produtivo do algodão e pesquisadores a visitar a biofábrica da Koppert, em Rotterdam (Holanda), que é referência mundial em controle biológico.
A comitiva brasileira ficou bem impressionada com a visita, que é fruto da preocupação da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e de entidades estaduais como a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) em colocar à disposição dos cotonicultores novas ferramentas de manejo e controle de pragas e doenças, que sejam eficientes, mais seguras para os trabalhadores e o meio ambiente e, ao mesmo tempo, diminuam os custos de produção.
"Esse é um caminho sem volta. Estamos vivendo um novo momento em que nós, produtores, percebemos que é impossível continuar apenas fazendo o controle químico de pragas e doenças se quisermos assegurar a sustentabilidade da cultura do algodoeiro e de outras plantas, como a soja, a longo prazo ", afirma Gustavo Viganó Piccoli, vice-presidente da AMPA, que participou da comitiva.
Durante a visita às instalações da Koppert, o grupo – integrado pelo presidente e o vice-presidente da Abrapa, Gilson Pinesso e Paulo Shimohira, respectivamente – conheceu um pouco da história da empresa e alguns produtos utilizados para controle biológico , que se baseia na utilização de inimigos naturais de vírus, insetos-praga e nematoides para combatê-los no campo.
"Constatamos a segurança e eficiência dos produtos biológicos da empresa e também o controle de fabricação visando assegurar a qualidade dos produtos comercializados", diz Alvaro Salles, diretor executivo do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt). Ele ressalta que hoje o controle biológico é um negócio consolidado no Brasil e em boa parte do mundo, e não está mais restrito a pequenas fábricas de fundo de quintal. como demonstra o exemplo da Koppert.
"Vários países vêm recorrendo com sucesso a ferramentas de controle biológico no combate a doenças e pragas como as lagartas do gênero Helicoverpa spp", acrescenta Salles, lembrando que o controle biológico faz parte das recomendações da pesquisa para o Manejo Integrado de Pragas (MIP).
A visita à biofábrica holandesa serviu também para um aprofundamento das conversas sobre uma possível parceria entre a AMPA/IMAmt e a Koppert, visando a divulgação e o desenvolvimento de produtos de controle biológico para uso na agricultura mato-grossense.
Também fizeram parte da comitiva brasileira o pesquisador Marcelo Soares do IMAmt e a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos (Cenargen), Rose Monerat, com quem o IMAmt desenvolve o programa de controle biológico; e Celito Breda, consultor e diretor da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa). Eles foram recebidos por Paul Koppert, presidente da empresa, e pelos diretores da Koppert no Brasil, Danilo Pedrazzoli e Gustavo Herrmann.