Na última semana, agricultores associados à Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão) viveram uma experiência diferente: eles saíram de seus municípios para visitar a Unidade Experimental do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) e a sede da Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro), em Primavera do Leste (a cerca de 240 km de Cuiabá). Os visitantes se surpreenderam positivamente com o que viram.
"Eu não saiba que o IMAmt estava tão avançado em pesquisas. Fiquei muito impressionado com os laboratórios da Unidade Experimental", comentou Cleto Weber, presidente do Núcleo Regional Noroeste da AMPA, que veio de Sapezal. "Fiquei muito impressionado com o tamanho, a capacidade e a qualidade da equipe do IMAmt", acrescentou Ernesto Martelli, membro do Conselho Fiscal e produtor em Campo Novo do Parecis. "Foi uma surpresa muito agradável. Fiquei admirado com as instalações do IMAmt e o trabalho dos jovens pesquisadores. O trabalho deles é muito focado nas necessidades dos produtores de Mato Grosso", observou César Augusto Xavier, agricultor em Campo Verde que gostaria de ver essa experiência estendida a outros associados da Ampa.
Embora acompanhe sempre o trabalho desenvolvido pela equipe do instituto de pesquisa criado em 2007, o produtor Milton Garbugio, presidente da Ampa, do IMAmt e da Comdeagro, disse que sempre se surpreende a cada visita feita à Unidade Experimental, em Primavera do Leste. "A cada ano o IMamt vem se estruturando mais e crescendo. Embora também trabalhe com outras culturas para apresentar alternativas ao cotonicultor, o trabalho é bem voltado para apresentar novas tecnologias de modo que o produtor de algodão possa melhorar o manejo da cultura e o controle de pragas e doenças, dentro das recomendações do Manejo Integrado de Praga (MIP)", afirma Garbugio, acrescentando que os resultados alcançados têm sido "muito bons".
Além de assistirem a apresentações de pesquisadores e do assessor técnico regional, Renato Tachinardi, que falou sobre o trabalho focado no controle do bicudo-do-algodoeiro, os visitantes percorreram todas as casas de vegetação e os laboratórios do IMAmt, ciceroneados pelo diretor executivo do IMAmt, Alvaro Salles. Eles puderam ver as armadilhas para mariposas do Sistema de Alerta de Pragas Emergentes (SAP-e), projeto desenvolvido pelo entomologista Miguel Soria, que é o primeiro passo para o monitoramento da população de lagartas-praga nas fazendas produtoras de algodão.

O pesquisador Miguel Soria mostra as armadilhas para captura de lagartas
Os visitantes constataram os avanços das pesquisas da melhorista Patrícia Andrade Vilela e do consultor Jean Belot visando o desenvolvimento de variedades (convencionais e transgênicas) que apresentem resistência e/ou tolerância às principais pragas e doenças do algodoeiro em Mato Grosso. Acompanharam também a evolução das pesquisas feitas por Edson Andrade Júnior com o objetivo de tornar mais eficientes o manejo e controle de plantas daninhas e ainda o trabalho desenvolvido pela equipe do fitopatologista Rafael Galbieri em relação às principais doenças do algodoeiro. Outro experimento que despertou bastante a atenção de todos foi o do pesquisador Fábio Echer que analisa o desenvolvimento do sistema radicular de variedades do algodoeiro com relação à resistência aos nematoides, entre outras atividades.

O pesquisador Edson Andrade Júnior mostra o trabalho com plantas daninhas
A comitiva de produtores teve a oportunidade de conhecer as pesquisas realizadas com outras culturas visando a sustentabilidade da produção do algodão em Mato Grosso. Nesse contexto receberam informações sobre os experimentos dos pesquisadores Alberto Boldt, Rogério Oliveira de Sá e Elio Rodriguez de la Torre, que trabalham, respectivamente, com soja, outras oleaginosas (como mamona e cártamo) e cana-de-açúcar.
Nos laboratórios, puderam acompanhar nos microscópios os resultados de pesquisas com nematoides e o trabalho realizado no laboratório de Biologia Molecular, onde o pesquisador Leonardo Scoz apresentou os equipamentos de última geração utilizados para identificação através de marcadores moleculares da lagarta Helicoverpa armigera, que tantos prejuízos vem causado a agricultores de Mato Grosso e de outros estados brasileiros. Vários desses trabalhos são realizados em parceria com outras instituições de pesquisa de Mato Grosso, de outros estados brasileiros e do exterior.

Milton Garbugio, presidente da Ampa e do IMAmt, no laboratório
Comdeagro – O grupo formado por uma dezena de agricultores – a maioria diretores da Ampa – também visitou no final da tarde as instalações da Comdeagro. Lá, conheceu a unidade recém-inaugurada de deslintamento e a estrutura montada para armazenamento de sementes comercializadas pelo IMAmt e de máquinas agrícolas (e outros equipamentos) importados da China. Criada em 2009 pelos associados da Ampa, a Comdeagro tem como uma de suas finalidades colocar as tecnologias desenvolvidas pelo IMAmt e seus parceiros à disposição dos agricultores com agilidade e custos reduzidos.
O grupo visitante, que participou de um jantar de confraternização na Comdeagro, foi integrado também pelos produtores Sérgio Introvini, Otávio Palmeira dos Santos, Paulo Sérgio Aguiar, Alexandre De Marco, Valdir Jacobowski, Celso Griesang e Patrícia Brunetta, e pelo diretor executivo da Ampa Décio Tocantins.