Buscar informação de qualidade e recorrer a ferramentas do mercado futuro para proteger os preços de seu produto: essas foram as duas principais recomendações do consultor Miguel Biegai Junior, que falou sobre o mercado de algodão no Congresso AgriMoney, nesta quarta-feira (27 de novembro), em Cuiabá. O palestrante explicou como acontece a formação de preços do algodão no mercado internacional e doméstico, mostrando a forte correlação que existe entre as cotações da pluma na Bolsa de Nova York, nos Estados Unidos, e as do mercado doméstico.
Corretor de Mercado Futuro de Commodities na Granopar (PR), Biegai disse que o algodão de segunda safra é a grande aposta na safra 2013/14 em função da baixa rentabilidade do milho e fez um prognóstico animador para os preços da pluma a curto e médio prazo. “No âmbito doméstico, a escassez de oferta manterá o mercado próximo à paridade de importação”, comentou, depois de apresentar dados que confirmam a tendência de que continue mais caro para a indústria têxtil importar a pluma de outros países do que comprá-la do produtor brasileiro.
Porém, o palestrante ressaltou que, mesmo com a redução da oferta de pluma em nível mundial, o abastecimento segue com sobreoferta, “o que é um empecilho para elevações mais consistentes das cotações”. Lembrou ainda a incógnita representada pelo comportamento da China – maior produtor e importador de pluma do mundo – em relação aos seus estoques de algodão. Acrescentou também que o algodão é a commodity mais sensível às variações na renda da população, já que os itens de vestuário são os primeiros a serem cortados em situações de crise.
Por isso, apesar do mercado de algodão estar hoje relativamente estabilizado, ele recomenda aos produtores que se mantenham muito bem informados e procurem mecanismos de proteção para enfrentar eventuais mudanças de humores no cenário mundial, que acabam respingando no mercado doméstico.
O diretor executivo da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocantins, que atuou como moderador da palestra, reafirmou a importância da definição de um novo preço mínimo para o algodão. O atual preço mínimo, que não é corrigido há mais de 10 anos, apresenta uma defasagem de aproximadamente 50% em relação ao custos de produção da lavoura levantados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ele também apresentou os números de produção em Mato Grosso – estado responsável por cerca de 50% da produção brasileira de fibra e das exportações nacionais. Depois de sofrer um recuo de 37% na safra 2012/13 em relação à safra 2011/12, a produção deverá crescer (cerca de 28%) na safra 2013/14, que terá início no próximo dia 1º, principalmente na área de segunda safra em sucessão ao plantio de soja.
“Considerando a demanda doméstica e as exportações, deverá faltar algodão em 2014 e a paridade de importação deverá continuar”, acredita o executivo.
O Congresso AgriMoney foi realizado na terça e na quarta-feira no Cenarium Rural, em Cuiabá. por iniciativa da SAFRAS & Mercado e Canal Rural.