Na última semana, Marcelo Caetano deixou a rotina como gerente da Fazenda Antares (Sementes Tropical), no município mato-grossense de Dom Aquino, para participar da 4ª Jornada de Atualização IAS no auditório da Unicotton, em Primavera do Leste. Mas, antes de assistir aos cursos sobre Desempenho Ambiental e Boas Práticas Agrícolas (BPA), ele aproveitou para checar sua saúde fazendo exames preventivos no micro-ônibus do Programa Fazenda Saudável – uma iniciativa do Instituto Algodão Social (IAS), braço social da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).
Desde o dia 12 de novembro a equipe da 4ª Jornada de Atualização IAS percorreu as regiões produtoras de algodão em Mato Grosso com o objetivo de levar informações sobre o novo processo de certificação para a safra 2013/14, iniciada em 1º de dezembro. Esta semana, os cursos aconteceram em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Cuiabá. A Jornada foi realizada com recursos do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).
Além da presença do micro-ônibus do Programa Fazenda Saudável onde produtores de algodão e seus colaboradores podem fazer exames que previnem doenças graves, como diabetes, enfermidades do coração e outros problemas relacionados ao excesso de peso, a novidade da Jornada de Atualização deste ano ficou por conta do foco no pilar ambiental no processo de certificação da safra 2013/14.
"A 4ª Jornada de Atualização IAS funcionou como um curso preparatório para a certificação da próxima safra algodoeira, em que as fazendas produtoras de algodão serão certificadas pela primeira vez pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) com a opção de receberem a licença de venda Algodão BCI (Better Cotton Initiative)", explica Félix Balaniuc, diretor executivo do IAS.
Na prática, isso significa que os produtores de algodão e seus colaboradores precisam estar mais atentos a novos itens, devidamente explicados ao longo dos cursos da Jornada de Atualização pela engenheira ambiental Marlene Lima e pela engenharia agrônoma Marcelma Maciel. Elas destacaram aspectos como a conservação da água nas fazendas, a queima de resíduos, o depósito adequado de defensivos e a importância de conhecer e seguir à risca a complexa legislação ambiental (federal, estadual e municipal) para assegurar a sustentabilidade no tripé social, ambiental e econômico. A boa notícia é que se houver alguma não conformidade em relação às exigências do ABR e do sistema BCI, os cotonicultores ainda têm tempo para se adequarem até janeiro próximo quando começarão as auditorias, informa Balaniuc.
"Elas estão nos lembrando sobre as atividades que já fazemos no dia a dia, mas, hoje, não basta fazer o que é certo, é preciso documentar e, em geral, não temos a prática de fazer o registro. Para o bom funcionamento da empresa, temos que nos adequar às novas exigências", comentou Marcelo Caetano, gerente da Fazenda Antares – uma das 43 fazendas mato-grossenses que já aderiram ao sistema BCI em safras anteriores.
Ao seu lado, Luciano Dalla Nora, gerente da Fazenda Mourão, em Campo Verde (Grupo Caimbé), também se mostrou satisfeito com as informações transmitidas na Jornada de Atualização. "É sempre importante participar. A gente faz o que a legislação determina no dia a dia, mas falta documentar melhor", reconheceu Dalla Nora, acrescentando que o aspecto ambiental não era tão enfatizado nos processos de certificação anteriores. Giuseppe Castelli, gerente de produção da Fazenda Leila, que participou da Jornada de Atualização em Campo Verde, concorda: "É importante termos as informações para adequarmos as fazendas às novas exigências do ABR/BCI".
Até a safra 2011/12, a produção da pluma mato-grossense era certificada pelo selo Algodão Socialmente Correto, lançado pelo IAS em 2007 e voltado para o cumprimento da legislação trabalhista com a estrita observância das normas de segurança do trabalho. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) reconheceu o pioneirismo do programa do IAS e lançou no final de 2012 o programa Algodão Brasileiro Responsável, que unifica os protocolos do programa mato-grossense e do Psoal (programa de certificação adotado em outros estados produtores de algodão). A partir da safra 2013/14, quem aderir voluntariamente ao ABR pode também fazer sua adesão ao sistema BCI, ratificando que a pluma produzida em sua fazenda atende às exigências de uma produção sustentável nos pilares social, ambiental e econômico, e garantindo assim o acesso aos mercados mais exigentes.