O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, esteve no Senado Federal na quinta-feira, 28 de março, para participar de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) onde falou sobre a atual situação das disputas internacionais que acontecem na entidade.
Para Azevêdo, o caso do contencioso do algodão é um dos principais indicativos da força do Brasil na OMC. Segundo ele, o momento atual é de debate entre o governo brasileiro e o norte-americano. “Li na imprensa brasileira que há intenção do governo de entrar com um painel de implementação. Mas isso ainda não chegou oficialmente para nós”, afirmou.
Na posição de diretor-geral do órgão internacional, Azevêdo não se pronuncia sobre formas de ação do Brasil, mas entende que o painel de implementação é uma das medidas naturais de ação. “É uma maneira para analisar se aquele problema lá de trás foi resolvido. A partir deste resultado, com um laudo da OMC, as partes voltam a se falar para tentar entendimento. Mas não dá para saber qualquer resultado disso agora”, disse.
Defesa brasileira – A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) apresentou ao diretor-geral da OMC o resultado do estudo feito pela Confederação Brasileira de Agricultura e Pecuária (CNA), a qual ela preside, e que foi divulgado no dia 26 de março. “A nova Farm Bill é muito pior. Ela traz novos mecanismos que substituem os subsídios diretos por um seguro agrícola que não valoriza produtividade. Basta que o produtor plante para que tenha dinheiro na mão. Os resultados disso no comércio mundial serão muito distorcivos”, pontuou.
O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) relembrou o histórico do contencioso do algodão e o não cumprimento por parte dos EUA do acordo firmado após a vitória brasileira. “Eles deixaram de pagar os US$ 12,3 milhões ao mês, em setembro de 2013. A nova lei só foi aprovada em fevereiro. Como fica esta situação?”, questionou. Moka lembrou que os dados levantados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) sobre a Farm Bill 2014, em relação ao algodão, podem causar distorções ainda maiores no mercado mundial da fibra. “Serão impactos brutais na produção que acabarão por reduzir também o número de empregos, renda, entre outros prejuízos para a economia do nosso país”, disse o senador.