Dilma anuncia preço mínimo para o algodão em Lucas do Rio Verde
“O agronegócio mato-grossense é um exemplo para o Brasil: a cada ano vocês nos surpreendem com novos recordes”, afirmou a presidenta da República, Dilma Rousseff, diante de uma plateia de produtores rurais, durante o evento que marcou a abertura oficial da colheita da safra brasileira de grãos 2013/2014 e início do plantio de 2ª safra. O evento foi realizado em Lucas do Rio Verde (cerca de 350 km ao Norte de Cuiabá , no final da manhã de terça-feira (11 de fevereiro).
Os cotonicultores tiveram motivos a mais para deixaram o encontro satisfeitos. Em seu discurso, a presidenta anunciou o novo preço mínimo para o algodão, de R$ 54,90, a arroba. “O preço mínimo do algodão estava defasado há mais de 10 anos e os produtores de algodão vinham reivindicando o reajuste por meio de seus representantes. É fundamental para o setor contar com um preço mínimo mais próximo do nossos custos de produção, que são altíssimos”, comentou Milton Garbugio, presidente da Associação Mato-grossense do Algodão (Ampa), que foi uma das lideranças do setor produtivo a participar de um encontro reservado com a presidenta Dilma em Lucas do Rio Verde.
Outro destaque no evento foi a participação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Pinesso, escolhido para discursar em nome dos produtores rurais do Brasil. Embora tenha agradecido o apoio do Governo Dilma ao agronegócio, Pinesso aproveitou a ocasião para ressaltar a importância desse apoio na questão do contencioso do algodão:
“Somos os maiores produtores de café, citros, e mais recentemente nos tornamos o maior produtor de soja do mundo superando os norte-americanos. No algodão, tínhamos a convicção de que em médio prazo também seriamos o maior exportador desta fibra no mundo, no entanto, nosso concorrente maior não são os próprios agricultores daquele país e sim o Tesouro norte-americano. Parece que eles não querem realmente ceder esse espaço. A nova lei agrícola promulgada na semana passada pelo senhor Obama (o presidente dos Estados Unidos) é danosa ao nosso setor e contamos com o apoio do nosso governo para fazer o enfrentamento que o caso requer”, disse o presidente da Abrapa.
Dilma Rousseff subiu ao palanque por volta de 10h45m e foi saudada pelo prefeito de Lucas do Rio Verde, que destacou a presença da presidenta da República no município com 25 anos de existência. Em seguida, discursaram o presidente da Abrapa, o ministro Antônio Andrade (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o ministro Célio Borges, dos Transportes.
Em sua fala, Andrade enfatizou a importância da parceria entre o governo federal e o agronegócio para os resultados positivos alcançados e disse que o Mapa está estudando “de perto” a nova lei agrícola norte-americana (a Farm Bill) junto com o Ministério das Relações Exteriores, considerada “danosa” ao setor algodoeiro pelos cotonicultores.
O ministro Célio Borges, por sua vez, entusiasmou o público tocando num dos assuntos que mais mobiliza os produtores rurais: a logística para escoamento das super safras Segundo ele, a concessão da Rodovia BR-163/MT, realizada em dezembro de 2013, vai gerar, em 30 anos, investimentos de R$ 4,6 bilhões. No total, são 850,9 quilômetros que vão da divisa de Mato Grosso com Mato Grosso do Sul até Sinop (MT). “A duplicação da BR-163/MT aliviará o atual movimento de cargas nas estradas do Sul em direção aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR)”, afirmou. Ele também destacou a necessidade de se concluir o asfaltamento da BR-163 até Santarém para facilitar o acesso da produção mato-grossense aos portos de Santarém e Miritituba (que integram o chamado Arco Norte).
O governador Silval Barbosa foi o último a falar antes da presidenta, que, durante 40 minutos falou sobre temas como educação, seguro rural, modernização dos portos e armazenagem, destacando a disponibilidade de recursos para os produtores rurais. “Ninguém faz agricultura sem crédito e juros adequados”, afirmou a presidenta, que reconheceu que a questão da armazenagem é um “gargalo” para o crescimento do agronegócio. Ela também dedicou vários minutos de seu discurso à questão da infraestrutura logística, ressaltando a importância da integração dos modais ferroviário, hidroviário e rodoviário. Dilma encerrou sua fala, às 12h35, defendendo a simplificação dos processos burocráticos:
“Temos que melhorar a nossa burocracia, essa tradição de selos e carimbos. Temos papeis demais no Brasil e precisamos acabar com a multiplicidade de exigências desnecessárias”.
Também participaram do evento em Lucas do Rio Verde o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller (produtor no município), os senadores Blairo Maggi e Pedro Taques, a presidenta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, entre outros parlamentares e autoridades de Brasília, Cuiabá e municípios do interior de Mato Grosso. Antes de subir ao palanque, a presidenta viveu a experiência de “pilotar” uma colheitadeira. “Agora tenho mais uma profissão: sou operadora de máquinas”, brincou.