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ICAC divulga declaração final na Grécia

O Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC na sigla em inglês) encerrou sua 73ª Reunião Plenária nesta sexta-feira (7 de novembro), com a divulgação de uma declaração em que aborda os principais assuntos debatidos ao longo da semana em Thessaloniki, na Grécia. “Da terra à marca: fortalecendo a cadeia de valor do algodão” (From Land to Brand: Strengthening the Cotton Value Chain) foi o tema geral do encontro, que reuniu 401 pessoas, entre as quais representantes de 33 países membros, nove de organizações internacionais de 19 de países não membros.

De acordo com a declaração final do ICAC, foi constatado que políticas de governo continuam distorcendo o mercado internacional do algodão. Segundo a Secretaria do ICAC, o consumo mundial de algodão em 2014/15 deverá ficar abaixo da produção pela quinta temporada consecutiva e os estoques alcançarão níveis recordes. De acordo com o ICAC, a queda nos preços da pluma levou a uma crescente tentação por parte dos governos de países produtores de intervirem em defesa de seus produtores. Para a Secretaria do ICAC, conhecer o timing e a forma de liquidação desses estoques “ajudaria a definir os fundamentos do mercado de algodão mundial para os próximos anos”.

Sem fazer referência a um país específico, o ICAC diz que mudanças ocorreram na política de alguns poucos países produtores de algodão no último ano e alerta que mais intervenção no mercado apenas adiaria ajustes e traria desafios crescentes aos participantes da cadeia de valor do algodão a longo prazo.  Ainda em relação a esse tópico, a declaração da 73ª Reunião Plenária diz que os países membros do ICAC reconheceram a importância de estatísticas e estudos econômicos elaborados pelo órgão consultivo para tornar o mercado de algodão mais transparente.

Outro ponto da declaração final diz respeito à importância de os países membros do ICAC estimularem a demanda por algodão e foram discutidas formas de se promover a fibra natural como marca. Segundo o ICAC, o algodão tem muitas vantagens competitivas e é altamente valorizado pelos consumidores, porém, nos últimos anos, os altos preços da  pluma prejudicaram a sua capacidade de competir com as fibras sintéticas. Com a queda nos preços do algodão, sua competitividade aumentou, mas ações proativas de promoção da pluma ainda são necessárias, na avaliação do ICAC.  Os países membros do ICAC foram encorajados a promoverem o uso do algodão, principalmente no mercado interno e, nesse sentido, foi enfatizada a importância de se contar com instrumentos precisos de teste do algodão como uma ferramenta de comercialização e forma de aumentar a participação da fibra no mercado.

Durante a 73ª Reunião Plenária, vários países apresentaram suas ações em prol da produção sustentável do algodão e, nesse sentido, a declaração final sugere que eles devem trabalhar em conjunto, por meio do intercâmbio de informações, para expandir esses programas de modo a garantir um “futuro saudável” para a pluma.

Outros temas abordados durante o encontro de Thessaloniki foram os programas de identificação do algodão, a importância de se respeitar a santidade dos contratos como forma de manter a saúde da cadeia de suprimento do algodão ("O conceito da santidade do contrato está centrado na compreensão de que as partes devem honrar suas obrigações contratuais", diz o ICAC) e a volatilidade dos preços da pluma no mercado mundial. Os pré-requisitos para o crescimento da indústria têxtil também estiveram em pauta durante o encontro e foi destacado o papel das políticas públicas nesse contexto.

A conclusão da Rodada de Doha voltou a ser tema da reunião plenária anual do ICAC e, para o Comitê Consultivo, ela não pode ser bem sucedida sem um acordo em relação ao algodão. O ICAC reiterou seu apoio a Organização Mundial do Comércio (OMC) na promoção do comércio livre.

O ICAC conclui sua declaração final agradecendo a forma como a Grécia recepcionou os participantes da 73ª Reunião Plenária e informando os países onde serão realizados os próximos encontros anuais: Índia (em 2015), Paquistão (em 2016) e Moçambique (em 2017).