A Better Cotton Initiative (BCI) atua para melhorar a produção mundial do algodão para aqueles que o produzem, para o meio em que é cultivado e para o futuro do setor – essa é a proposta da organização internacional, que tem no algodão brasileiro seu maior parceiro desde a implantação do sistema no País em 2010. Na semana passada, o gerente de Parcerias da BCI, o britânico Corin Wood-Jones percorreu várias fazendas licenciadas BCI em Mato Grosso (maior produtor de algodão do Brasil) para conhecer de perto o sistema produtivo adotado e aproximar BCI e produtores.
“Vim para mostrar a nossa cara, dizer quem somos, o que queremos e aonde queremos chegar”, afirmou Wood-Jones em conversa com Evandro Antônio Mariano, gerente da Fazenda Marabá, em Campo Verde (a cerca de 120 km de Cuiabá), e com Félix Balaniuc, diretor executivo do Instituto Algodão Social (IAS). O representante da BCI visitou essa unidade de negócios do Grupo JPupin em companhia do gestor de Sustentabilidade da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Denilson Galbero, e de Marcelma Maciel, supervisora ambiental do IAS.
Wood-Jones explicou que uma das razões de sua vinda a Mato Grosso foi desfazer “alguns mal-entendidos” surgidos após a introdução do sistema no Brasil, em 2010, que teriam gerado um entendimento equivocado sobre o papel da associação sem fins lucrativos, criada por um grupo de empresas e organizações internacionais (entre as quais, gigantes como a Adidas e a Levis), com o propósito de definir critérios para a produção sustentável de algodão em nível mundial.
“A função da BCI (Better Cotton Initiative) é desafiar os produtores de algodão a serem melhores e os agricultores do Brasil (e de Mato Grosso) podem desafiar a BCI a ser melhor”, comentou. Segundo ele, o mais importante para a BCI é identificar onde os produtores de algodão podem melhorar, o que implica uma constante revisão dos critérios mínimos de uma produção sustentável. O britânico citou o exemplo do aumento no uso de defensivos agrícolas no Brasil na safra 2013/14 por conta da pressão de uma lagarta exótica (Helicoverpa armigera). “O que importante para nós é conhecer a história por trás desse aumento e o que está sendo feito para melhorar a performance dos produtores de algodão”, disse.
Desde a safra 2013/14, as fazendas que aderem ao programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) – criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) no final de 2012– podem optar por obter a licença de comercialização BCI, Isso se tornou possível após um processo de benchmarking entre o programa de certificação ABR e o sistema BCI, que tem foco maior nas questões ambientais. A cada ano-safra cresce o número de fazendas que obtém a certificação ABR e o licenciamento BCI: na safra 2013/14, nos seis estados participantes, foram 255 fazendas certificadas ABR e 209 licenciadas BCI.
Na avaliação de Galbero, gestor de Sustentabilidade da Abrapa, o sistema BCI agregou muito à produção brasileira de algodão no que diz respeito à gestão sustentável do negócio. Na opinião do gerente da Fazenda Marabá, contar com o selo ABR e o licenciamento BCI é uma forma de se destacar no agronegócio. “Passamos a ser vistos com outros olhos por nossos clientes e também pelos representantes dos órgãos fiscalizadores. Num mercado tão competitivo, é preciso buscar formas de diferenciar nossos produtos”, afirmou Evandro Antônio Mariano, ressaltando que hoje, graças às exigências do ABR e BCI, a Marabá e outras unidades de negócio do Grupo JPupin têm mais controle e transparência nos procedimentos efetuados.
O diretor executivo do IAS, braço social da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), ficou muito satisfeito com a visita do gerente da BCI. “Ficamos felizes de ver o caminho percorrido pelos cotonicultores mato-grossenses em direção à produção sustentável nos pilares social, ambiental e econômico, e pela contribuição dada pelo IAS, com a criação do selo Algodão Socialmente Correto, em 2007, em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT”, comentou.
Implantando hoje em vários países que se destacam como os maiores produtores mundiais de algodão (como China, Índia, Paquistão e Estados Unidos), a BCI tem a meta de responder por 30% da pluma produzida no mundo até 2020 (hoje, esse percentual corresponde a aproximadamente 9%). “Nossa meta é que o algodão BCI seja a commodity mais importante do mercado em 2020″, afirmou Wood-Jones.