Especialistas de várias instituições de pesquisa do País se reuniram em Cuiabá, nessa quinta-feira (11 de fevereiro), para debater um tema que se torna a cada dia mais vital para o futuro da cotonicultura brasileira: a destruição de soqueira. A eliminação bem-feita dos restos culturais após a colheita, especialmente no sistema produtivo adotado no Cerrado (com plantio sucessivo de soja e algodão), é considerada fundamental para um controle eficiente de pragas e doenças, entre elas, o bicudo-do-algodoeiro.
“A ideia é compartilharmos experiências que possam nos direcionar às melhores recomendações para produtores e técnicos. Se a destruição de soqueira não for efetiva, os rebrotes vão atrapalhar o desenvolvimento da outra cultura (já que competem por nutrientes) e servirão de alimento para insetos, patógenos que são vetores de doenças e nematoides”, afirma o pesquisador Anderson Cavenaghi, do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), que trabalha num projeto de levantamento de plantas daninhas resistentes a herbicidas com o pesquisador Edson Ricardo de Andrade Junior do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).
O encontro realizado na sede da Ampa e do IMAmt reuniu ainda os pesquisadores Sebastião Carneiro Guimarães da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fabiano Siqueira da Fundação MT, Valdinei Sofiatti da Embrapa Algodão e Pedro Jacob Chritofoletti da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). O grupo de especialistas, que conta também com o pesquisador Rubem Oliveira Junior da Universidade Estadual de Maringá (UEM), está comprometido em compartilhar conhecimentos de modo a identificar as melhores alternativas de manejo a serem utilizadas pelos produtores de algodão ao final da safra corrente (2015/16).
Segundo Ramiro Ovejero, da Equipe de Gestão de Responsabilidade de Produtos da Monsanto, a destruição de soqueira é hoje considerada “um grande desafio” por cotonicultores de todas as regiões produtoras no Brasil. “A proposta desse encontro é identificar quais as melhores opções de manejo dos restos culturais do algodoeiro, com base nas informações reunidas a partir de estudos realizados em diferentes estados produtores de algodão”, explica Ovejero.
Ao longo desse segundo encontro (o primeiro foi realizado em 2013), os participantes apresentaram resultados de suas pesquisas. Edson R. de Andrade Junior do IMAmt falou sobre os resultados do estudo que avaliou a eficiência nos métodos utilizados na destruição dos restos culturais (soqueiras e plantas tigueras) no final da safra 2014/15. Atualmente, cerca de 70% da soqueira do algodoeiro é destruída de forma química, com o uso de herbicidas, mas, de acordo com o levantamento, o clima é um fator importante no sucesso da destruição, a maioria das fazendas precisa associar os métodos químico e mecânico, e nenhum dos tratamentos adotados tem 100% de êxito, sobretudo com a crescente adoção de variedades transgênicas resistentes a herbicidas não seletivos.