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Bioinseticida mata larvas de Aedes aegypti

O combate ao mosquito Aedes aegypti – transmissor de dengue, febre Chikungunya e Zika, entre outras viroses – poderá ganhar um poderoso aliado em breve: o bioinseticida Inova –Bti, desenvolvido em parceria pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e pelo Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).

O Inova-Bti, cuja produção em larga escala e comercialização depende ainda de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inova ao matar as larvas do mosquito Aedes aegypti 20 minutos após a sua utilização. "O Inova-Bti foi desenvolvido a partir de uma estirpe de bactéria (Bacillus thuringiensis israelenses) do banco de micro-organismos da Embrapa. O produto não é tóxico e pode ser utilizado com muita segurança, inclusive, em caixas de água e bebedouros de animais domésticos. Apenas uma gota por litro de água é suficiente para eliminar durante 15 dias as larvas do mosquito A. aegypti e também dos insetos do gênero Culex (o pernilongo comum)", explica Alvaro Salles, diretor executivo do IMAmt.

O produto foi desenvolvido graças a um trabalho liderado pela pesquisadora Rose Monnerat da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e realizado com apoio do pesquisador Marcelo Soares do IMAmt e equipe. Todos os testes laboratoriais e de eficácia já foram concluídos, e as instituições envolvidas aguardam com expectativa a aprovação do registro junto à Anvisa.

Uma vez obtido o registro, a ideia é produzir o novo bioinseticida numa biofábrica que está sendo construída pela Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro) em Primavera do Leste (a cerca de 300 km de Cuiabá). "Mas, como essa biofábrica só deverá estar pronta no início do segundo semestre, se conseguirmos o registro do Inova-Bti antes, temos condições de iniciar a produção de cerca de 6 mil litros do novo bioinseticida, em instalações terceirizadas, no prazo de 30 dias", informa o diretor executivo do IMAmt.

"O Aedes aegypti é transmissor de muitas viroses e o Brasil precisa se conscientizar da necessidade de fazer um manejo integrado desse vetor para reduzir os danos que ele vem causando à população. Os produtores de algodão de Mato Grosso ficam satisfeitos de darem sua contribuição para combater o Aedes aegypti", comenta Gustavo Piccoli, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e do IMAmt.  Milton Garbugio, presidente da Comdeagro (cooperativa criada pelo cotonicultores mato-grossenses para comercializar as tecnologias desenvolvidas pelo IMAmt e seus parceiros), é também um entusiasta das ferramentas de controle biológico, que, além de terem sua eficácia comprovada, não afetam o meio ambiente.

O trabalho realizado em parceria pelo IMAmt e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia está focado no desenvolvimento de outros bioinseticidas a serem utilizados no controle de pragas e doenças, entre outros problemas enfrentados pelos agricultores, e também de bioestimulantes.

Sucesso em Sorriso – Este é o segundo inseticida biológico desenvolvido pela Embrapa com o objetivo de combater as larvas do mosquito. Desde 2005 está no mercado o Bt-horus – feito em parceria com a empresa Bthek Biotecnologia -, mas que não é produzido em larga escala no país.

A pesquisadora na área de Controle Biológico da Embrapa, Rose Monnerat, explica que os dois larvicidas são biológicos, não afetam o meio-ambiente, nem colocam em risco a saúde humana. Porém, o novo produto, Inova-Bti, foi formulado recentemente  com novos adjuvantes de alta eficiência.

"A formulação é um pouco diferente do primeiro bioinseticida, mas ambos têm os mesmos princípios e são excelentes produtos", ressalta Monnerat. "Os testes toxicológicos do Inova-Bti estão em fase final e então submeteremos o dossiê com toda a documentação à Anvisa".

O Bt-horus já foi utilizado nas cidades de Três Lagoas (MS), São Sebastião (DF), Rio das Ostras (RJ) e Sorriso (MT), sempre com resultados positivos.  Em Sorriso, de acordo com o diretor executivo do IMAmt, Alvaro Salles, a utilização do bioinseticida fez com que o número de casos de dengue baixasse de 1.600 para menos de 30 em apenas um ano.  Inseticidas à base da bactéria Bacillus thuringiensis israelenses (Bti) são utilizados há décadas em países como Estados Unidos.

De acordo com a pesquisadora Rose Monnerat, o IMAmt tem capacidade para produzir 1.600 litros de Inova-Bti por semana, tão logo seja concedido o registro. A recomendação é que cada família utilize um frasco de 30 ml. Por isso estima-se que cerca de 53 mil residências possam ser atendidas por semana. Com a crescente demanda pelo bioinseticida, há possiblidade de a produção ser duplicada em curto espaço de tempo, segundo a pesquisadora.