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Produtores recebem bônus por soja certificada

A recompensa financeira por produzir soja de forma sustentável chegou para nove produtores rurais de Sorriso. Depois de mostrarem que são comprometidos com o plantio sustentável da soja no mundo, os agricultores receberam, pela primeira vez, a bonificação pela venda de créditos negociados na plataforma RTRS, sigla em inglês para a Round Table on Sustainable Soy.

O repasse dos créditos da soja certificada é um reconhecimento aos produtores que agora conseguem comprovar fora do país que produzem de forma sustentável. Os “créditos verdes” desta produção são uma espécie de moeda gerada a cada tonelada de soja produzida nessas propriedades. Esse crédito é, basicamente, comprado por empresas da Europa que precisam compensar seus impactos ambientais. Juntas, as nove fazendas de Sorriso, produziram cerca de 60 mil toneladas de soja certificada. Pelo sistema, cada tonelada certificada dá direito a um crédito que pode ser negociado na plataforma da RTRS. 

Só no ano passado os produtores brasileiros receberam cerca de 14 milhões extras, graças à certificação que visa uma produção ambientalmente correta, socialmente adequada e economicamente viável – o tripé da sustentabilidade.

Em Sorriso o processo de certificação das propriedades começou em novembro de 2013 através do projeto Gente que Produz e Preserva do Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), com apoio da WWF Brasil, Solidariedad, IDH e Bel.

Para o presidente do CAT, Darcy Getúlio Ferrarin, o pagamento dos bônus é um momento histórico para o Clube Amigos da Terra. “Esse repasse é muito importante, mas a certificação vai muito além do benefício financeiro. Os produtores que estão no projeto estão dispostos a organizar a propriedade, se adequar a legislação e principalmente preservar o meio ambiente”, afirmou o presidente.

Durante a cerimônia de pagamento dos bônus, os produtores rurais receberam um cheque simbólico no valor total do pagamento, R$ 527.383,00 (quinhentos e vinte e sete mil, trezentos e oitenta e três reais). Depois cada um recebeu seu próprio cheque com o valor correspondente ao tamanho da área de cada propriedade.

A certificação tem validade de cinco anos, baseia-se no padrão RTRS de Produção de Soja Responsável e envolve aspectos sociais ambientais e boas práticas agrícolas. 

O trabalho continua para esses produtores que agora precisam cumprir o restante dos indicadores exigidos pelo padrão RTRS. Motivo mais que suficiente para que o produtor rural Pedro Bertuol, da fazenda São Marcos, invista o dinheiro do bônus em benfeitorias na propriedade. “Precisamos adequar o tanque do combustível e esse dinheiro vai ajudar muito nisso”, garantiu Bertuol.

Cobrir os custos dos investimentos feitos até agora é o plano dos proprietários da fazenda Santana. Luis Fernando e Dudy Paiva tiveram custos com as adequações exigidas pelo padrão RTRS. “Nós acreditamos no projeto e está aí o reconhecimento. Esse dinheiro veio em boa hora e vai ajudar nos custos que já tivemos e nos ajustes que ainda temos que fazer. Quem sabe nos próximos anos poderemos usar o dinheiro de outra forma, uma viagem quem sabe?”, afirmou Dudy.

As fazendas certificadas e que receberam a bonificação são: Jaborandi, São Felipe, Dakar, São Marcos, Santana, Videirense, Cella, Berrante de Ouro e Santa Maria da Amazônia (juntas totalizam 21.342 hectares).

Recentemente o CAT iniciou o processo de certificação em outras fazendas de Sorriso e região, entre elas, a propriedade de Gustavo Piccoli, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e membro do Conselho Fiscal do CAT Sorriso.