Como explorar o potencial produtivo das cultivares de algodão? Esse foi um dos principais temas do Dia de Campo realizado na Fazenda Girassol, na Serra da Petrovina (a cerca de 90 km de Rondonópolis, no Sul de Mato Grosso). Organizado pelo produtor Gilberto Goellner, o evento contou com programação diversificada, focando ainda temas como a qualidade da fibra do algodão e os desafios dos produtores em tempos de crise.
Realizado na manhã de sexta-feira (15 de julho), o Dia de Campo contou com a presença de Sérgio de Marco, produtor no município de Itiquira (no Núcleo Regional Sul) e atual assessor especial do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. Ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), De Marco fez questão de comunicar ao público do Dia de Campo a assinatura no dia anterior (14 de julho) da Instrução Normativa nº 24, do Mapa, que estabelece o Regulamento Técnico do Algodão em Pluma. O texto define o padrão oficial de classificação do algodão em pluma, com os requisitos de identidade e qualidade, a amostragem, o modo de apresentação e a marcação ou rotulagem, atendendo a um pleito do setor produtivo.
O Dia de Campo Girassol Algodão foi aberto pelo produtor Gilberto Goellner e a primeira estação foi coordenada pelo consultor Jonas Guerra, com apresentações do pesquisador Ederaldo Chiavegato, fisiotecnista da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP). Ele analisou o cenário da atual safra algodoeira (2015/16), falou sobre fatores que influenciam a produtividade do algodoeiro e deu dicas para se buscar a máxima produtividade nas lavouras, priorizando a eficiência fotossintética e, consequentemente, o incremento na produtividade e qualidade de fibra.
O tema "Manejo para altas produtividades" também foi apresentado pelo consultor Jonas Guerra (da Guerra Consultoria) e pelo pesquisador Leandro Zancanaro (da Fundação MT). Guerra enfatizou a importância de se contar com raízes bem desenvolvidas para que as plantas do algodoeiro apresentem boas produtividades mesmo diante de fatores negativos como nematoides ("Precisamos aprender a conviver com nematoides; eles chegaram ao solo antes e não irão embora", diz Guerra) e o excesso de chuva no início do plantio que, na opinião do consultor, foi "o grande vilão" da safra 2015/16. Em seguida, Eduardo Kawakami da TMG falou sobre posicionamento das variedades desenvolvidas pela empresa e multiplicadas pela Girassol Agrícola.
Qualidade de pluma – Num segundo momento do Dia de Campo, o público assistiu à palestra de Fernando Pimentel, diretor da Agro Security, que discorreu sobre o cenário macroeconômico nacional e internacional. Segundo ele, apesar dos problemas atuais, o agronegócio segue sendo o segmento mais competitivo do Brasil. Pimentel listou alguns desafios "fora da porteira" que o produtor enfrenta hoje, como a insegurança jurídica, a tendência de aumento na tributação (ele aconselhou todos "a abraçarem" as entidades representativas como forma de se defender desse quadro) e o aumento nas taxas de juros.
Alexandre Lins, da Laferlins (empresa que atua na corretagem do algodão), fez uma detalhada explanação sobre fatores que colocam em risco a qualidade da fibra de algodão brasileira. Segundo ele, é preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre produção e qualidade, e o mais importante é manter estabilidade na qualidade da pluma ofertada. Ele elogiou fatores como o cumprimento de contratos por parte dos produtores brasileiros, parabenizando a Abrapa, Ampa e outras estaduais pelo trabalho realizado, e também a adoção de boas práticas sociais e ambientais na produção algodoeira, mas alertou para os riscos de contaminação e outros aspectos que ameaçam a imagem da pluma nacional. De acordo com Lins, a velocidades das máquinas utilizadas pela indústria têxtil é crescente, o que obriga produtores a estarem mais atentos à qualidade da fibra.
O Dia de Campo contou com as presenças de Carlos Ernesto Augustin, membro do Conselho Consultivo da Ampa e presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), e Ernesto Martelli, integrante do Conselho Fiscal da entidade, entre outros produtores, e de Valter Peters, gerente do Escritório de Rondonópolis da Embrapa Produtos e Mercado.