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Produtores visitam Texas Tech University

Os integrantes da Missão Técnica ao Texas, promovida pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), visitaram esta semana o Fiber and Biopolymere Research Laboratory da Texas Tech University (TTU), em Lubbock.  A comitiva de Mato Grosso – que inclui diretores da Ampa e representantes da nova geração de cotonicultores – foi recebida pelo diretor do Departamento da Ciência do Solo e da Planta, dr. Eric Hequet, e pelo diretor do Laboratório de Pesquisa de Fibra e Biopolímero, dr Nourredini Abidi.

Segundo o pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), Jean Louis Belot, que integra o grupo visitante, esse laboratório é o maior dos Estados Unidos focado em pesquisas visando à qualidade de fibra e são inúmeras as possibilidades de colaboração entre a TTU e Mato Grosso (Ampa/IMAmt).  Na opinião do presidente da Ampa, Gustavo Piccoli, todas as informações colhidas durante a visita à TTU são muito valiosas visando a melhoria da qualidade de fibra produzida em Mato Grosso. “Hoje a Ásia é o principal mercado do algodão brasileiro e os produtores mato-grossenses (que respondem por mais de 60% da pluma exportada) têm que oferecer uma fibra de comprimento adequado, com boa uniformidade e pequeno índice de fibras curtas”, explica.

Segundo Belot, a TTU pode ser “um parceiro muito interessante” para Ampa/IMAmt no que diz respeito à qualidade de fibra e ao beneficiamento do algodão, principalmente porque o laboratório de pesquisa da Universidade contará com uma micro usina da marca Lummus – semelhante a que será utilizada na Escola de Beneficiamento em construção no Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Sul (em Rondonópolis).

 

Pesquisas e intercâmbio – Na visita ao Fiber and Biopolymere Research Laboratory da TTU, foram apresentadas as duas principais linhas de pesquisa: uma delas busca relacionar as características químicas da fibra (estrutura da celulose) com as suas propriedades físicas, e analisa o seu comportamento durante as operações industriais, especialmente nos processos de tingimento.

“Os pesquisadores da TTU conduzem muitos trabalhos em parceria com empresas privadas para desenvolver processos com o objetivo de acrescentar propriedades novas aos tecidos de algodão, como impermeabilidade à penetração de água ou substâncias oleosas”, afirma Belot, acrescentando que esses trabalhos visam facilitar a limpeza dos tecidos. Outros trabalhos importantes conduzidos pelo laboratório têm como foco o melhoramento do rendimento nos processos de tingimento para limitar a quantidade de corantes na água utilizada. 

O laboratório também realiza trabalhos voltados para a celulose da fibra do algodão (fibras de baixa qualidade que não podem ser valorizadas), visando a produção de materiais de alto valor agregado. No que diz respeito à qualidade de fibra, os visitantes conheceram as máquinas de análise HVI e AFIS, e também elementos de diversos processos de fiação (fiação de anel e open end).  Segundo Belot, que é também coordenador do programa de Qualidade de Fibra do Algodão de Mato Grosso, o professor Hequet chamou atenção dos visitantes para diversos aspectos relacionados ao funcionamento adequado das máquinas HVI e AFIS. “Ele mostrou que para o melhoramento genético, é necessário trabalhar com AFIS+ HVI, visando acessar a distribuição de comprimento das variedades”, explica.

Os visitantes de Mato Grosso conheceram ainda outros laboratórios e linhas de pesquisa do Departamento da Ciência do Solo e da Planta, que trabalham com genética molecular para identificar genes envolvidos no estresse hídrico e/ou salino. O grupo foi recebido por dirigentes da Faculdade de Agronomia que lhes ofereceu um almoço no clube da TTU.  Piccoli destaca que há muita abertura por parte da Texas Tech University para receber estudantes ou até profissionais de Mato Grosso, sendo que para estudantes interessados em fazer a graduação ou pós-graduação em Agronomia, o único requisito é ser fluente em inglês.

A Missão Técnica ao Texas prossegue até o final desta semana e o último compromisso oficial do grupo mato-grossense é a visita a Texas A&M University, em College Station.  O grupo já visitou a unidade da Lummus, líder mundial no fornecimento de máquinas para o beneficiamento do algodão, e a unidade de Cotton Production e Processing Research do USDA (o Ministério da Agricultura norte-americano), ambos na cidade de Lubbock. Além do presidente Gustavo Piccoli e do pesquisador Jean Belot, integram a comitiva os diretores da Ampa Sérgio Introvini, Alexandre Schenkel, Valdir Jacobovski, Cleto Webler, Alessandro Polato e Arilton Riedi; pelos produtores Jackson Schenkel, Vinícius Garbugio, Marcelo de Aguiar e Tiago Piazza Carlott; por Décio Tocantins, diretor executivo da Ampa, e pelos jovens Eduardo Schein, Gabriel Gustavo Piccoli, Igor Riedi, Adecrésio Pedro de Aguiar Neto e Sara Introvini.