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Evento debate qualidade da fibra em Cuiabá

O estado que responde por 67% da pluma produzida no Brasil trilha o caminho da qualidade e, para isso, promove a aproximação entre diferentes elos da cadeia produtiva do algodão. Essa é a proposta do Workshop da Qualidade do Algodão, que está se realizando em Cuiabá, nesta sexta-feira (18 de agosto).

Pelo quinto ano consecutivo, a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) estão promovendo o evento, que reúne produtores, representantes do corpo técnico de fazendas e algodoeiras, pesquisadores, consultores e dirigentes de vários segmentos da indústria têxtil.

A solenidade de abertura do workshop contou com as presenças do governador de Mato Grosso, Pedro Taques, do secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Avalone Jr, do deputado federal Nilson Leitão, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, e do presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), José Altino Comper, que foram recepcionados pelo presidente da Ampa, Alexandre Schenkel.

Alguns temas prevaleceram durante a solenidade de abertura e na primeira mesa temática do evento: a posição de liderança de Mato Grosso no mercado brasileiro de pluma, a importância de aproximação entre produtores e representantes dos demais elos da cadeia – visando agregar valor à matéria-prima produzida no estado – e de buscar sustentabilidade da cadeia como um todo.

Após apresentar um vídeo sobre o potencial produtivo de Mato Grosso, em que foi destacada a produção algodoeira do estado, o governador Pedro Taques relatou um encontro ocorrido quando ainda era senador, em que o então presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) lhe falou sobre os entraves à instalação de indústrias do setor em MT, tais como a distância do mercado consumidor, questões relacionadas à infraestrutura logística e à disponibilidade de recursos como água e energia elétrica, entre outros.

"Este workshop é importante no sentido de superarmos esses desafios", comentou Taques, que enfatizou a necessidade de se investir na verticalização da produção. O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Carlos Avalone Jr, também lembrou os entraves listados por representantes da indústria têxtil para a instalação de empresas em Mato Grosso por ocasião da criação do Programa de Apoio ao Algodão de Mato Grosso (Proalmat), em 1997.

"Eles disseram que precisavam de pelo menos 10 anos para avaliar a produção algodoeira de Mato Grosso. Já se passaram mais de 10 anos. A hora é agora. Queremos vocês aqui", disse Avalone, acrescentando que a Sedec-MT está de portas abertas para os representantes da indústria têxtil. Segundo ele, o Governo deve aprovar ainda neste semestre um "programa mais agressivo" para promover a atração de indústrias para Mato Grosso, com a inclusão de incentivos fiscais.

José Altino Comper, presidente do Sintex, falou brevemente sobre as dificuldades das indústrias do setor têxtil para competir com os produtos confeccionados no exterior, referindo-se em especial ao excesso de impostos, que acaba sendo transferido para os consumidores. "O setor têxtil brasileiro deveria ser um grande exportador", disse, numa alusão à posição do país entre os cinco maiores exportadores mundiais de pluma.

 

Tecnologia e inovação – "As novas aplicações do algodão no mundo – tecnologia e inovação" foi o tema da Mesa 1 do Workshop da Qualidade do Algodão, que reuniu  Maria José Orione, diretora de Planejamento Estratégico e Marketing da Capricórnio Têxtil, Vitor Luiz Rambo Junior, diretor presidente da Incofios, e Walter Hamaoka, gerente comercial da Kurashiki do Brasil, tendo como moderadores Alexander Kurre, da ADM, e Rogerio Segura, da Star Colours.

Maria José fez uma breve apresentação sobre a história do jeans, desde a criação revolucionária do blue jeans por Levis Strauss, na segunda metade do século XIX, e abordou as principais tendências da moda. O algodão ainda é a principal matéria-prima do denim, tecido utilizado para a fabricação de peças do vestuário que integram o universo do jeanswear, mas, a partir dos anos 1980, o elastano entrou definitivamente em cena, trazendo com ele outras misturas com fios sintéticos, que passaram a conviver com o algodão.

O tema que prevaleceu na segunda mesa foi a importância das novas tecnologias para promover a sustentabilidade da cadeia produtiva como um todo, com menor uso de recursos naturais como a água na lavagem de denim, por exemplo. "A sustentabilidade não é um modismo.  Ou a gente se adapta a ela ou está fora", comentou Vitor Luiz Rambo Junior, diretor presidente da Incofios.

"Sustentabilidade não é custo: os investimentos para tornar os processos industriais mais sustentáveis são rapidamente recompensados com menores custos", acrescentou Maria José.  Ela também frisou a importância de maior aproximação com as universidades e institutos de pesquisa visando trazer os atributos dos fios sintéticos para o algodão. "Precisamos fazer o caminho inverso", disse a diretora de Planejamento Estratégico e Marketing da Capricórnio Têxtil, empresa sediada em São Paulo que é a terceira maior fabricante de denim no Brasil.

Walter Hamaoka, gerente comercial da Kurashiki do Brasil, falou sobre o empenho da empresa, que é referência na produção de fios, em inovar para se adaptar às novas exigências do mercado consumidor por produtos mais sustentáveis. Ele apresentou ao público peças feitas com J-Fiber, um fio desenvolvido com a tecnologia do Grupo Kurabo e seus parceiros que possui em sua composição fibras de cupro (que é extraído do línter do algodão). "Nosso conceito é trabalhar infinitamente com fios 100% algodão e fazer a imagem do algodão brasileiro no exterior", afirmou Hamaoka. Entre outras características desse fio, está a capacidade de regular a temperatura no interior da peça de vestuário, mantendo o frescor no verão e o calor no inverno.

A segunda Mesa do período da manhã teve como tema "Gestão da umidade ao longo da cadeia produtiva do algodão". Os expositores foram Jean Louis Belot, pesquisador e coordenador do Projeto de Qualidade do Algodão do IMAmt; Jean-Luc Chanselme, diretor técnico da Cotimes do Brasil; João Celso dos Santos, diretor gerente da Orbi Cotton e Renildo Luiz Mion, pesquisador do campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Rondonópolis. A moderação ficou a cargo de Dangelo Maschio, da Cooami, e Gilmar Deliberaes, da Cooperbem.

O workshop prossegue no período da tarde com a apresentação sobre a Escola de Beneficiamento Ampa/IMAmt e dos cursos e treinamentos a serem realizados. A exposição do tema será feita por Alvaro Salles, diretor executivo do IMAmt; Carlos Eduardo Braguini, gerente do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Rondonópolis, e o ex-presidente da Ampa Milton Garbugio. O moderador será Alexandre Pedro Schenkel, presidente da Ampa.