O pesquisador Jean Louis Belot, coordenador técnico do programa Qualidade da Fibra de Mato Grosso, fez um balanço positivo do V Workshop da Qualidade do Algodão, realizado em Cuiabá. "É a primeira vez que conseguimos trazer a Cuiabá tantos representantes da indústria têxtil", disse Belot, numa referência à importância de se criar um canal de diálogo entre representantes de diversos elos da cadeia produtiva do algodão.
Além de reunir cotonicultores associados à Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão), representantes de indústrias, corretoras e cooperativas, pesquisadores e consultores em Cuiabá, o evento deste ano inovou ao promover a ida dos visitantes de São Paulo, Santa Catarina e Paraná a lavouras e usinas de beneficiamento em Campo Verde (a cerca de 120 km de Cuiabá), na quinta-feira passada. O grupo também conheceu as instalações da Cooperfibra.
"Eles puderam constatar o nível de comprometimento dos produtores em melhorar a qualidade do algodão e atender às demandas da indústria têxtil", afirmou Belot, que é pesquisador melhorista do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).
Maria José Orione, diretora de Planejamento Estratégico e Marketing da Capricórnio Têxtil, confirmou a opinião do pesquisador do IMAmt. Ela veio de São Paulo para ver de perto a produção algodoeira.
"Foi fantástico, uma experiência muito enriquecedora", afirma Maria José, que representa uma empresa que é a terceira maior produtora de denim no Brasil – tecido utilizado para a fabricação de calças jeans. Apesar da utilização de fios sintéticos no denim, o algodão continua respondendo por aproximadamente 70% da matéria-prima usada na confecção de peças de vestuário do chamado jeanswear.
A diretora diz que a "grande surpresa" da ida a Campo Verde foi verificar o nível de tecnologia aplicado nas lavouras e outras unidades produtoras, e também de "responsabilidade social e ambiental" dos produtores associados à Ampa, que tem grande parte de sua produção certificada.

"É preciso haver uma aproximação maior entre os produtores e os grandes varejuistas. Muitas coisas que os consumidores desejam em termos de sustentabilidade já são praticadas pelos produtores no campo. Tudo isso precisa ser informado melhor a quem está na ponta da cadeia do algodão", argumenta Maria José, que participou da Mesa 1 do Workshop com o tema "As novas aplicações do algodão no mundo – tecnologia e inovação". Além dela, participaram desse debate Vitor Luiz Rambo Junior, diretor presidente da Incofios, e Walter Hamaoka, gerente comercial da Kurashiki do Brasil como expositores; Alexander Kurre, da ADM, e Rogerio Segura, da Star Colours, como moderadores.
"Gestão da umidade ao longo da cadeia produtiva do algodão" foi o tema da segunda mesa, que teve como expositores Jean Louis Belot, Jean-Luc Chanselme, diretor técnico da Cotimes do Brasil; João Celso dos Santos, diretor gerente da Orbi Cotton e Renildo Luiz Mion, professor e pesquisador do campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Rondonópolis. A moderação ficou a cargo de Dangelo Maschio, da Cooami, e Gilmar Deliberaes, da Cooperbem.

A ênfase, segundo Belot e Chanselme, foi a importância de se fazer a gestão da umidade em todas as etapas de produção do algodão para preservar a qualidade da fibra. "É indispensável que esse seja um trabalho conjunto de produtores e dos responsáveis pelas algodoeiras. É preciso haver uma integração entre o campo, a usina de beneficiamento e o setor comercial", comenta o diretor técnico da Cotimes do Brasil. Ele acrescenta que a gestão de umidade no beneficiamento do algodão passa por ter pessoal qualificado, tecnologia moderna e engenharia para garantir o dimensionamento e o desempenho dos equipamentos utilizados.
Na avaliação de Belot, a inauguração da Escola de Beneficiamento Ampa/IMAmt vai fechar o ciclo. "Finalmente, teremos condições de fazer a formação de trabalhadores para atuarem nas algodoeiras, que saibam trabalhar a gestão de umidade", diz o pesquisador. Um dos trunfos da Escola de Beneficiamento é a micro usina, fabricada pela Lummus (referência mundial em equipamentos para beneficiamento do algodão) e com características apropriadas para atividades pedagógicas e também de pesquisa.
A Escola de Beneficiamento Ampa/IMAmt está sendo construída no Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Sul, em Rondonópolis, e será utilizada em parceria com a unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senai), no município. A proposta de funcionamento dessa escola foi apresentada no V Workshop da Qualidade do Algodão por Alvaro Salles, diretor executivo do IMAmt; por Carlos Eduardo Braguini, gerente do Senai-Rondonópolis, e Milton Garbugio, presidente da Comdeagro e vice-presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão).
Além de dirigentes da ADM, da Capricórnio Têxtil, da Kurashiki do Brasil – todas de São Paulo, da Incofios (de Indaial – SC) e da Star Colours (Americana – SP), o grupo visitante do Workshop da Qualidade do Algodão foi integrado por representantes da Buddemeyer e Fiação São Bento (ambas de São Bento do Sul – SC), Círculo (de Gaspar – SC), Coamo (Campo Mourão – PR), Fiação Águas Negras e Vargas Têxtil (Botuverá – SC), Karsten (Blumenau – SC) e Orbi Corretora (Maringá – PR). José Altino Comper, presidente da Círculo, é também o atual presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex).
O V Workshop da Qualidade do Algodão conta com apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).