Produtores de algodão de Mato Grosso participaram do evento anual de The International Cotton Association (ICA) na semana passada, em Liverpool, na Inglaterra. O encontro deste ano celebrou o 175º aniversário da entidade e contou com o lançamento oficial do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O programa tem como objetivo garantir o resultado de origem e, consequentemente, assegurar mais credibilidade e transparência aos resultados de análise de HVI realizados pelos laboratórios de classificação instrumental que operam no Brasil.
"Esse programa representa o compromisso e a responsabilidade da cotonicultura brasileira", comentou Alexandre Schenkel, vice-presidente interino da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), que integrou o grupo de Mato Grosso ao lado dos diretores Guilherme Scheffer e Alessandro Polato (que também é presidente da Unicotton). Na oportunidade, o presidente da Abrapa, João Carlos Jacobsen Rodrigues, anunciou a inauguração do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), em Brasília, no dia 6 de dezembro.

O lançamento do programa SBRHVI ocorreu em um almoço que reuniu representantes das associações estaduais, de empresas da cadeia produtiva do algodão e das maiores empresas de comércio mundial de commodities, principalmente, as que comercializam a pluma brasileira. O presidente da Abrapa abriu o almoço apresentando os números alcançados pelo algodão brasileiro na safra 2015/16 e destacou que o lançamento do programa era um compromisso da entidade com a qualidade e rastreabilidade da pluma brasileira.
Segundo Jacobsen, o Brasil é líder mundial na produção de algodão com responsabilidade socioambiental, com 81% da produção certificada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e 71% licenciado pela Better Cotton Initiative (BCI). Ele ressaltou que na safra 2015/16, 207 algodoeiras brasileiras fizeram parte do Sistema Abrapa de identificação (SAI) e estiveram ativas. Quanto aos laboratórios de HVI, disse que são num total de 14 instalados no país com 63 máquinas de HVI.
O programa SBRHVI, destacou, é fruto do empenho de quatro gestões da Abrapa e está estruturado em três pilares, que reúnem a construção do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), o sistema de TI que integrará todos os laboratórios em rede e fará a gestão do processo de rechecagem de 1% de todas as amostras, em sorteio aleatório, por máquina; e ainda reunirá o banco de dados de qualidade dos fardos produzidos no Brasil. O último pilar é o processo de constante orientação e melhoria dos laboratórios de HVI que fizerem parte do programa. Estes receberão feedback diário de suas atividades.
Jacobsen detalhou todo o fluxo de funcionamento do programa e foi enfático ao destacar que as tradings que operam no Brasil serão cadastradas no sistema e poderão, assim como o produtor, ceder links para consulta aos fardos que estiverem negociando com o comprador final. Demonstrou como a consulta poderá ser feita via sistema e como toda a rastreabilidade dos fardos poderá ser verificada também via portal da Abrapa, uma vez que o comprador tenha em mãos a etiqueta SAI.
"Com o programa SBRHVI, ampliaremos a rastreabilidade fornecendo dados que vão além da algodoeira, passam pela unidade produtiva, o produtor, certificação ABR, licenciamento BCI, dados do laboratório que analisou a amostra até chegar na divulgação das características intrínsecas e extrínsecas dos fardos", afirmou.
O presidente da Abrapa frisou que é compromisso da associação que o primeiro fardo analisado da safra 2016/17 já nasça com a identificação SBRHVI.
Jantar de gala – Durante a estadia em Liverpool, os produtores de algodão de Mato Grosso também participaram da rodada de reuniões promovida pela Abrapa com representantes das tradings que operam no Brasil: Omnicotton, Cargill Cotton, Ecom, CFCO Agri, OLAM, Reinhart, Glencore, Dreyfus e CGG Trading. Nessas reuniões, que aconteceram antes e depois do almoço de lançamento do programa SBRHVI, foram avaliados os resultados da safra que está se encerrando e as perspectivas para a nova safra.
Os dias 20 e 21 de outubro foram totalmente dedicados à programação do ICA Trade Event 2016, que incluiu palestras e uma visita da princesa Anne, filha da rainha Elisabeth. Jacobsen a presenteou com produtos confeccionados com o puro algodão do Brasil e assinados pela estilista brasileira Martha Medeiros. O encerramento aconteceu com o tradicional jantar de gala, rque celebrou os 175 anos da ICA, reunindo representantes da realeza inglesa, de grandes empresas de comércio internacional e produtores de algodão do Brasil e outros países.