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atoleiro na BR-163 no retorno do Pará

Bastaram dois dias de chuvas isoladas para que cerca de 10 quilômetros da BR-163, nas proximidades do distrito de Moraes de Almeida, no sul do Pará, se tornassem uma armadilha para dezenas de veículos que passavam por ali. O trecho, ainda sem asfalto, virou um atoleiro após a chuva do último sábado (6) e impediu que muitas famílias e caminhoneiros seguissem viagem, nos dois sentidos da rodovia. Os integrantes do Estradeiro da BR-163 passaram pelo local e flagraram a falta de condições de trafegabilidade da pista quando retornavam da expedição.

Diversos veículos de passeio, de transporte coletivo e de carga enfileiraram-se às margens da estrada, em uma área de relevo acidentado, quando uma carreta tentava subir a ladeira e ficou presa no atoleiro. O espaço na pista era suficiente apenas para automóveis pequenos e somente os traçados conseguiam vencer a lama e as subidas e descidas.

No dia anterior, os veículos que faziam parte da caravana do Movimento Pró-Logística, coordenado pela Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), percorreram o último trecho da BR-163 até sua chegada a Santarém, completando os 906 Km de viagem de ida. As condições gerais da rodovia, que ainda tem aproximadamente 130 Km sem pavimentação, provocam divergência. Para o professor Luiz Miguel de Miranda, do Núcleo de Estudos de Logística e Transporte (Nelt) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o que viu até a conclusão da viagem trouxe preocupação.

“Saio preocupado, por conta dos projetos que estão sendo aplicados, que são antigos, defasados. Também pela execução, que está sendo malfeita, mas, principalmente, com os prazos. Dificilmente esses trechos (sem pavimentação) ficam prontos até 2017”, comentou. Sob uma análise técnica, ponderou que, em diversos pontos já pavimentados, serão necessárias correções para que o asfalto não ceda precocemente, sobretudo quando o grande fluxo de carretas, levando a produção do norte de Mato Grosso, seguir até os portos do Pará.

Já o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, apontou avanços na rodovia em relação ao evento de 2013. “Estou satisfeito com o que encontramos. Achava que encontraríamos situação pior, mas fomos surpreendidos com pavimentação onde não imaginávamos que estaria, pois no ano passado quase nada foi feito”, considerou.

O diretor estimou que até 2017 toda a rodovia esteja devidamente pavimentada e com os trechos mais antigos já reparados. “Acredito que até Miritituba (distrito de Itaúba, sul do Pará, onde há uma estação de transbordo à margem do rio Tapajós), os cerca de 60 Km que faltam sejam encerrados em 2016. Essas empresas fazem 30 Km por ano, facilmente encerrarão isso. Quanto ao trecho da Sans Tripoloni (consórcio que faz o asfaltamento nas proximidades de Santarém), até 2017 deve estar finalizado”.

A situação de um trecho em específico chamou atenção da comitiva. Trata-se do Km 68 do lote do consórcio Sans Tripoloni, que compreende 117 Km a partir da Vila do Trinta. Embora surpreso com 11 km já asfaltados e um bom pedaço já com terraplanagem, na altura do Km 68 o trecho, ainda em leito natural, está propenso à formação de atoleiros assim que as chuvas iniciarem na região, em janeiro. “Informaremos sobre a necessidade de se fazer um patrolamento urgente ali para que impeça os atoleiros e, consequentemente, os acidentes. O risco é muito grande e isso tem que ser feito até no máximo dia 10 de janeiro”, apontou Edeon Ferreira.

O Estradeiro da BR-163 encerra a programação do ano do Movimento Pró-Logística pelas estradas essenciais ao escoamento da produção de Mato Grosso. Participaram desta etapa sete veículos, com representantes de diversas entidades: diretores da Aprosoja-MT, professores da UFMT, servidor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e funcionários de empresas de logística e insumos agropecuários do país. A viagem encerrou no domingo (7), após o percurso de 1.812 Km até Sinop.