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Balanço dos Grupos Técnicos do Algodão

No final da semana passada, produtores e colaboradores participaram, ao lado de pesquisadores e técnicos do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), de uma visita a fazendas promovida pelo Grupo Técnico do Algodão de Lucas do Rio Verde com o objetivo de vistoriar os resultados da destruição dos restos culturais da safra 2015/16 e verificar como está o controle de soqueiras nas lavouras de soja durante o período de vazio sanitário do algodoeiro.

Aprender com a experiência – acertos e erros – do outro: essa é a proposta básica das rodadas técnicas que também estão sendo realizadas por outros Grupos Técnicos do Algodão em atuação em Mato Grosso. Mas essas rodadas (ou tours técnicos) são apenas uma das ações utilizadas por esses grupos criados para aproximar produtores e técnicos de cada região, visando melhorar o manejo do bicudo e da cultura do algodoeiro em geral, sendo que o foco no momento é a destruição e o controle dos restos culturais. Hoje há nove GTAs em atuação: na Serra da Petrovina, em Campo Verde, Primavera do Leste, Sapezal/Campos de Júlio, Campo Novo do Parecis, Diamantino/Deciolândia, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso.

Ampa - Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão.

Esses grupos contam com a participação dos associados da Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão), pesquisadores do IMAmt, assessores técnicos regionais (ATRs) e do engenheiro agrônomo Márcio de Souza, coordenador de Projetos e Difusão de Tecnologias do IMAmt. Eles também têm o apoio de consultores externos, incluindo pesquisadores como os entomologistas Walter Jorge dos Santos e Paulo Degrande, considerados os maiores especialistas em bicudo-do-algodoeiro, a principal praga da cotonicultura brasileira. Além disso, o IMAmt tem promovido a vinda de vários especialistas em tecnologias de aplicação de produtos agroquímicos, segundo o entomologista do IMAmt Eduardo Barros, coordenador do projeto Controle Efetivo do Bicudo e entusiasta do trabalho realizado pelos GTAs.

“Rodei o Mato Grosso inteiro nas últimas semanas e posso dizer que a situação melhorou bastante este ano”, diz Barros referindo-se ao processo de destruição dos restos culturais (que acontece antes do início do vazio sanitário do algodoeiro) e controle de rebrotes e plantas tigueras que precisa ser realizado até o início da próxima safra de algodão com a finalidade de reduzir a pressão de pragas e doenças. O pesquisador atribuiu essa melhoria ao empenho de produtores e colaboradores, que, na sua opinião, é resultado das discussões ocorridas no âmbito dos GTAs. Barros enfatiza ainda que uma das ações primordiais para baixar a população de bicudos é a completa eliminação de plantas de algodão na entressafra, mantendo a praga sem hospedeiro.

Outro fator que ajudou nesta safra foi o clima mais chuvoso, que favoreceu a eficiência do controle químico dos rebrotes. “Não foi só a destruição de soqueiras que melhorou. Percebi que o sistema de manejo do algodoeiro como todo está melhorando”, comenta Barros, que assina os comentários dos relatórios do Sistema de Pragas Emergentes (SAP-e Bicudo) enviado periodicamente aos associados da Ampa com a leitura dos índices de captura de bicudo nas armadilhas instaladas em diversos pontos, nas regiões produtoras de Mato Grosso.

Ampa - Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão.

Mas, apesar dos resultados animadores, Barros alerta produtores e técnicos a não baixarem a guarda, já que os índices de captura do bicudo por semana ainda preocupam. A eliminação bem-feita dos restos culturais após a colheita é fundamental para reduzir a população de pragas e doenças que se desenvolvem nas plantas rebrotadas – a chamada “ponte verde”. 

 

Legislação alterada – Este ano, a legislação do vazio sanitário em Mato Grosso, sob a responsabilidade do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea-MT) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Seder), foi modificada, com a divisão do estado em duas regiões que ganharam calendários diferentes. Enquanto na Região I – que inclui os núcleos regionais Sul, Centro e Centro Leste, o plantio do algodoeiro será retomado a partir de 1º de dezembro (vazio sanitário entre 1º de outubro e 30 de novembro), na Região II – que inclui os núcleos regionais Noroeste, Médio Norte e Norte – o plantio só poderá ser iniciado em 15 de dezembro, já que o vazio vai de 15 de outubro a 14 de dezembro.

Outra alteração na legislação vigente foi a alteração do alvo da fiscalização, que passou a ser “planta com risco fitossanitário”. A atualização da legislação em vigor sobre medidas fitossanitárias para controle do bicudo-do-algodoeiro em Mato Grosso é resultado de debates entre integrantes dos GTAs e representantes do Indea-MT após o encerramento da safra 2014/15.