Em release enviado à imprensa esta semana, a Secretaria do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC na sigla em inglês) estima que os preços baixos do algodão deverão se manter até o restante da safra 2014/15 quando produtores do Hemisfério Norte tomam suas decisões de plantio. Como consequência, a área mundial de algodão na safra 2015/16 deverá ter um recuo de 6% chegando a 31,6 milhões de hectares. Levando em conta uma produtividade média de 777 kg/ha, a produção mundial de pluma deverá cair 6%, sendo estimada em 24,6 milhões de toneladas, o que corresponde ao menor volume de produção desde 2009/10, segundo o ICAC.
Ao mesmo tempo, o consumo mundial de fibra de algodão deverá crescer aproximadamente 2%, atingindo 24,7 milhões de toneladas, o que deverá fazer da safra 2015/16 a primeira em cinco em que o consumo supera a produção, prevê o ICAC. Porém, o Comitê acrescenta que, embora o consumo possa superar a produção em aproximadamente 100 mil t, isso representará "apenas um pequeno abalo no enorme estoque mundial de algodão em pluma."
De acordo com a análise do ICAC, em 2015/16, o cultivo do algodão deverá se tornar menos atrativo para os produtores devido à queda nas cotações da pluma, enquanto os preços do milho e da soja se recuperam da queda nas cotações de setembro e outubro passados.
Embora o governo indiano tenha elevado seu preço mínimo em 2014/15, para muitos produtores os preços da pluma continuam baixos demais em comparação com os custos da produção e a área de plantio na Índia deverá diminuir 5%, chegando a 11,6 milhões ha. Considerando que a produtividade deverá se manter, o ICAC estima que a produção deverá alcançar 6,5 milhões t, tornando a Índia o maior produtor de algodão pelo segundo ano consecutivo (o ICAC já informou em release anterior que a Índia será o maior produtor mundial de pluma na safra 2014/15).
Na China, a área deverá cair aproximadamente 10%, pelo quarto ano consecutivo, alcançando 3,8 milhões de ha e a produção deverá cair 11%, atingindo 5,7 milhões t – o menor nível desde 2003/04.
Nos Estados Unidos, as incertezas em relação à nova legislação agrícola e os preços baixos da pluma em comparação com outras culturas deverão arrefecer os ânimos dos cotonicultores. A área nos EUA deverá ser reduzida em 10%, com o plantio de 3,6 milhões ha, e a produção deverá cair 7%, atingindo 3,3 milhões t em 2015/16.
O ICAC informa ainda que a falta de entusiasmo em relação ao plantio do algodão deverá persistir no Paquistão na safra 2015/16: a área deverá cair cerca de 5%, chegando a 2,7 milhões ha, e a produção deverá ter um recuo de 9% atingindo 2,2 milhões t.
Na avaliação do ICAC, o consumo mundial de algodão deverá crescer aproximadamente 2% em 2015/16 devido a uma melhoria moderada na economia global, que deverá crescer 3,5% de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, os preços do poliéster caíram mais rapidamente que os preços do algodão.
O consumo na China deverá permanecer estável – em torno de 8 milhões t -, sendo responsável por aproximadamente um terço do consumo mundial. Por outro lado, a expansão da indústria de fiação em outros países da Ásia deverá se manter. Em 2015/16, o consumo na Índia, projetado em 5,3 milhões t e no Paquistão, de 2,4 milhões t, responderão por aproximadamente um terço do consumo mundial de pluma. Bangladesh, Indonésia e Vietnã deverão responder por 10% de todo consumo mundial de pluma em 2015/16. O comércio mundial deverá crescer 4%, alcançando 7,9 milhões t devido a uma recuperação parcial no consumo, especialmente em países com dependência da importação em 2015/16, conclui o ICAC.