O município de Sapezal (situado a cerca de 480 km a noroeste de Cuiabá) é detentor da maior área plantada de algodão na safra 2012/13 (71.595 ha) e foi o cenário escolhido para o Dia de Campo realizado no último sábado (22/06). Durante toda a manhã, cerca de 230 pessoas – entre produtores e colaboradores de campo – percorreram as quatro estações onde pesquisadores e consultores do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) apresentaram novidades em vários campos de pesquisa.
“O IMAmt procura levar o Dia de Campo para uma região produtora diferente a cada ano como forma de tornar mais efetiva a difusão tecnológica voltada para os problemas e desafios que preocupam os agricultores e suas equipes no dia a dia. Pelo segundo ano consecutivo, Sapezal tem a maior área de plantio de algodão de Mato Grosso e nada mais natural que sedie um evento tão significativo para o futuro da cotonicultura no Estado maior produtor de pluma do Brasil”, comentou Milton Garbugio, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), do IMAmt e da Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro), responsáveis pela promoção do evento.
Na opinião do presidente do Núcleo Regional Noroeste, Cleto Webler, a realização do Dia de Campo em Sapezal pela primeira vez foi uma oportunidade para que produtores, agrônomos e técnicos agrícolas da região conhecessem melhor a evolução das pesquisas realizadas pelo IMAmt e outras instituições parceiras e, ao mesmo tempo, para que o pessoal de outras regiões pudesse conhecer a realidade local.
“Não achávamos que o IMAmt estivesse tão avançado no desenvolvimento de novas variedades de sementes”, afirmou Webler referindo-se à estação em que o pesquisador Jean Belot falou sobre novas variedades (transgênicas e convencionais) desenvolvidas para melhorar a performance dos algodoais de Mato Grosso. Na oportunidade, Belot apresentou duas novas variedades do IMAmt, que utilizam biotecnologia da Monsanto (Bollgard II e Roundup Ready Flex) e proporcionam resistência a pragas lepidópteras (o que inclui as temidas lagartas) e ao glifosato. Quantidade expressiva de sementes dessas variedades, cujos nomes comerciais serão IMA 5672B2RF e IMA 5675B2RF, está sendo produzida visando à comercialização na safra 2013/14. Ele também falou sobre outras variedades transgênicas, com tecnologia WideStrike, da Dow AgroScience, e variedades convencionais com tolerância a nematoides e ramulária, que continuam sendo trabalhadas pelo IMAmt, para comercialização a médio prazo.
O presidente do Núcleo Regional Médio Norte, Valdir Jacobowski, que liderou o grupo de Campo Novo do Parecis, também ficou bem impressionado com as novas tecnologias nas variedades IMAmt. “Foi muito bom saber o que a pesquisa está fazendo para nos ajudar no campo”, observou. O produtor destacou ainda a apresentação sobre “Manejo de pragas no sistema de produção para o produtor de algodão” , onde o entomologista Miguel Soria abordou a ocorrência do complexo de lagartas Helicoverpa spp. nos algodoais de Mato Grosso, incluindo a exótica Helicoverpa armigera, que já está presente no Estado. “É o que está pegando para o nosso lado”, observou Jacobowski, ressaltando a importância do conhecimento para evitar que se repitam em Mato Grosso os prejuízos causados por essa praga a agricultores do oeste da Bahia e outros estados na safra 2012/13.
Bicudo – Cleto Webler também mencionou a apresentação sobre o bicudo do algodoeiro, sob a responsabilidade do agrônomo Renato Tachinardi, coordenador dos assessores técnicos regionais. “Sempre falei para meu pessoal que o bicudo era um grande problema em outras regiões produtoras de Mato Grosso, como Rondonópolis, mas ninguém acreditava”, comentou Webler, produtor em Sapezal.
O Dia de Campo de Algodão foi realizado na fazenda Carajás do Grupo Scheffer com patrocínio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e da Syngenta, que aproveitou para fazer o lançamento de produtos. Ao longo das estações os visitantes puderam conhecer o Programa de Qualidade do Algodão por meio da apresentação do consultor do IMAmt, Sérgio Dutra, e assistiram ainda a palestras sobre a importância e o potencial de Mato Grosso para o cultivo de oleaginosas com o pesquisador Rogério Sá.
O monitoramento fitossanitário no algodoeiro foi abordado pelo fitopatolgista Rafael Galbieri, com a apresentação de dados preliminares de um estudo sobre nematoides que está sendo realizado em todas as regiões produtoras de Mato Grosso – em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – e indica um agravamento do problema. O pesquisador Edson Andrade Júnior, por sua vez, falou sobre práticas de manejo para áreas com plantas daninhas resistentes e outras conclusões da pesquisa realizada em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o Centro Universitário de Várzea Grande (Univag).
Na estação dedicada ao manejo de pragas, o pesquisador Marcelo Soares introduziu o tema controle biológico como um grande aliado do agricultor. Ele falou do avanço nas pesquisas realizadas pela equipe do IMAmt em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos (Cenargen) em Brasília, explicou sobre como funciona o controle biológico “É vivo matando vivo”) e garantiu que essa forma de controle é hoje “um negócio consolidado”.
O Dia de Campo Sapezal contou com as presenças de produtores procedentes de todas as regiões cotonicultoras de Mato Grosso, como Primavera do Leste, Campo Verde, Rondonópolis, Sorriso e Lucas do Rio Verde. Ele foi encerrado com um almoço no CTG Chama da Tradição, em Sapezal.