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Dia de Campo tem novidades para safra 2017/18

O Dia de Campo do Algodão, que marcou a inauguração do Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Noroeste, em Sapezal, foi o cenário escolhido para o lançamento comercial de novas variedades do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), disponíveis para o cultivo na safra 2017/18, e para uma apresentação sobre os avanços do programa de melhoramento.

"Estamos muito satisfeitos de compartilhar com produtores e seus colaboradores os resultados de nosso programa de melhoramento. Temos produtores diferenciados em Mato Grosso e quero lhes agradecer pelos investimentos em pesquisa. Nosso trabalho é direcionado para as características das lavouras de algodão de Mato Grosso, mas temos certeza de que será útil para todo o cerrado brasileiro", afirmou Alvaro Salles, diretor executivo do IMAmt.  Ele acompanhou o encerramento do Dia de Campo na estação compartilhada pelo melhorista Jean Belot e pelo fitopatologista Rafael Galbieri, pesquisadores do IMAmt.

A ramulária é considerada a principal doença foliar do algodoeiro em Mato Grosso e  nematoides são causadores de importantes doenças das raízes, sendo considerados uma das maiores ameaças ao sistema produtivo adotado no estado, com o cultivo do algodão sucessivo à soja. Galbieri apresentou um raio X da situação da ramulária e de nematoides, com ênfase especial na região de Sapezal, que detém hoje a maior área de cultivo de algodoeiro de Mato Grosso e responde por 17% da produção brasileira de pluma.

Ampa - Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão.

O pesquisador, que vem realizando um trabalho de coleta de fungos causadores da ramulária em diversas regiões produtoras de algodão, por meio de um projeto financiado pelo Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), identificou nas lavouras de Sapezal isolado do fungo capaz de quebrar resistência de algumas cultivares.

O melhorista Jean Louis Belot apresentou um resumo dos resultados alcançados pelo programa de melhoramento, desenvolvido em conjunto com a pesquisadora Patrícia de Andrade Vilela e com o suporte do Laboratório de Biotecnologia.  Ele falou sobre as perspectivas para os próximos 10 anos em termos de novas variedades de algodoeiro, com ênfase na resistência aos fungos causadores da ramulária e a alguns nematoides.

Entre as novas variedades desenvolvidas pelo IMAmt e comercializadas pela Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro), está a cultivar IMA7501WS, com a tecnologia WideStrike, material com alto poder produtivo, tolerante a nematoides e de ciclo tardio. "Por sua rusticidade, é uma excelente opção para os produtores que querem ampliar a área de algodão, tanto no cultivo de primeira quanto de segunda safra", afirma Antonio Neto, gerente comercial da Comdeagro. Ele acrescenta que IMA7501WS tem como uma de suas características apresentar maçãs grandes, com alto peso de capulho: média de 6 a 6,4 gramas/capulho.

Duas novas variedades do IMAmt começam a ser comercializadas para a próxima safra (2017/18):   IMA7201B2RF e IMA6501B2RF. Com tecnologia Bollgard II/RR Flex, IMA 7201B2RF é um material sugerido para plantio em final de primeira safra e também para o início do cultivo de segunda safra (que responde hoje por quase 90% das lavouras de algodão de Mato Grosso na safra 2016/17). Trata-se de um material vigoroso, com alto potencial produtivo, tolerância moderada a nematoides e totalmente adaptado às condições do cerrado mato-grossense, além de apresentar boa qualidade de fibra.

A cultivar IMA6501B2RF também conta com a tecnologia Bolgard II/RR Flex e é um material de ciclo médio, com arquitetura moderna, alto potencial produtivo, tolerância moderada a nematoides e boa qualidade de fibra, considerada uma opção para os cultivos de segunda safra.

 

Controle biológico – Em uma das estações do Dia de Campo, o entomologista do IMAmt, Jacob Crosariol Netto, falou sobre as principais pragas presentes nas lavouras algodoeiras na safra 2016/17, como o bicudo-do-algodoeiro, mosca-branca e lagartas do gênero Spodoptera. O pesquisador abordou técnicas de manejo dos insetos, apresentando resultados de ensaios que testam a eficiência dos inseticidas disponíveis no mercado. No caso de lagartas, ele apresentou resultados de ensaios testando a eficiência no uso da tecnologia Bt.

O IMAmt vem investindo no desenvolvimento de ferramentas de controle biológico, em parceria com outras instituições de pesquisa como a Embrapa. Graças a essa parceria, biofábricas estão sendo instaladas nas regiões de Campo Verde, Rondonópolis e Primavera do Leste. No Dia de Campo de Sapezal, o pesquisador do IMAmt Carlos Marcelo Soares falou sobre bactérias como Bacillus subtilis, que promove o crescimento de plantas e também age contra os fungos de solo; abordou outras bactérias do gênero Bacillus que controlam nematoides e Bacillus thuringiensis kurstaki, utilizado para controle da lagarta Spodoptera frugiperda resistente.

Com relação aos vírus, foram apresentados dois estudos desenvolvidos, sendo um para controle de Spodoptera frugiperda e outro para controle de Chrysodeixis includens (lagarta falsa-medideira).

Os fungos também foram enfocados na palestra de Soares, com apresentação dos resultados de trabalhos iniciais com Trichoderma para controle de fungos de solo e promoção de crescimento.

Em outra estação do Dia de Campo, o tema principal foi o monitoramento do bicudo do algodoeiro, o trabalho desenvolvido pelo Grupo Técnico do Algodão (GTA) do Núcleo Regional Noroeste e o manejo de destruição de soqueira, medida considerada fundamental para o controle dessa e outras pragas. O pesquisador Edson Andrade Junior e o assessor técnico regional Renato Tachinardi receberam os visitantes, ao lado do consultor Walter Jorge dos Santos, um dos maiores especialistas brasileiro no controle do bicudo.

 

Inauguração – A realização do Dia de Campo marcou a inauguração do Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Noroeste, construído pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), por meio de projeto executado pelo IMAmt. Outros quatro CTDs já estão funcionando nos núcleos regionais Norte (Sorriso), Sul (Rondonópolis), Centro (Campo Verde) e Médio Norte (Campo Novo do Parecis), com a realização de cursos, treinamentos, e atividades de desenvolvimento e difusão de novas tecnologias.

Com uma área de 50 hectares (sendo 3 mil m2 de área construída), o Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Noroeste dispõe de dois auditórios, área administrativa (com sala de reunião e local para realização de treinamentos de menor porte), refeitório, alojamento, garagem de máquinas, depósito de insumos e um galpão que abrigará as salas para treinamentos e oficinas.  Cerca de 49 ha da área serão destinados ao desenvolvimento e difusão de novas tecnologias, sendo que dois hectares dessa área externa são irrigados.

Segundo Alvaro Salles, essa unidade terá como objetivo principal desenvolver atividades com foco no manejo de nematoides. Para isso, será instalado no local um laboratório de Nematologia, que contará com uma equipe treinada para auxiliar na geração de informações, atuar em treinamentos e na realização de testes de produtos (variedades, químicos e biológicos), visando o combate a esse parasita na região de Sapezal e em todo estado.