Em menos de duas décadas, Mato Grosso se tornou o maior estado produtor de algodão do País, sendo responsável por aproximadamente 50% da produção e das exportações brasileiras. Essa história de sucesso se baseou em vários fatores como o empreendedorismo e a união dos agricultores que se dedicaram à cotonicultura como alternativa à produção de soja no Cerrado e também aconteceu graças ao desenvolvimento de novas tecnologias pelas instituições de pesquisa. Porém, a cotonicultura mato-grossense ainda esbarra em gargalos como as dificuldades de acesso aos insumos necessários à produção e de escoamento da safra, que encarecem a produção, minando sua competitividade. E o que dizer das grandes distâncias até os consumidores finais da pluma – boa parte deles instalada nos países asiáticos?
Compreender melhor a cadeia de suprimento (supply chain) da produção de algodão é um passo fundamental para melhorar a gestão, garantindo a redução de custos, o aumento da produtividade e da qualidade do produto entregue ao consumidor, e a sustentabilidade da cotonicultura mato-grossense no pilar econômico – condição essencial para que ela se torne sustentável do ponto de vista social e ambiental.
Nesse contexto, a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) propôs o "Estudo Estratégico da Cadeia de Suprimento do Setor do Algodão de Mato Grosso", com o objetivo de levantar informações a serem utilizadas pelos cotonicultores na tomada de decisões, visando o fortalecimento da atividade no Estado e em toda Região Centro-Oeste.
Financiado com recursos do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o estudo foi elaborado pela empresa de consultoria Macrologística. Ao longo de quase 200 páginas, os responsáveis pelo estudo fizeram um levantamento minucioso da produção de algodão (em caroço e em pluma no Estado), incluindo a distribuição das algodoeiras e o caminho percorrido até os consumidores domésticos e no exterior, O estudo faz ainda um raio X de Mato Grosso em termos de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças (Análise SWOT) em que os gargalos de infraestrutura logística se contrapõem a aspectos positivos como o fato de o estado ser o maior produtor de grãos e algodão do País com condições favoráveis para a agricultura em larga escala. "O Mato Grosso possui um imenso potencial agrícola, porém sofre atualmente com a falta de infraestrutura de transportes e a necessidade de utilizar portos do Sudeste para escoar a sua produção", constata o estudo.
Depois de fazer uma avaliação da situação atual da infraestrutura em termos de terminais portuários e outras formas de escoamento, o estudo faz a análise de competitividade das rotas para as principais regiões produtoras de algodão de Mato Grosso, informando o custo logístico das rotas de escoamento atuais e potenciais e analisando quais são as melhores opções para os produtores.
"A cotonicultura é uma atividade de risco e complexa, com custos de produção altíssimos (R$ 6.335,94 por hectare, segundo a Abrapa) e superiores aos de outras culturas como soja e milho. Além disso, lidamos com um mercado instável em que as cotações da pluma estão sujeitas ao comportamento nada previsível de gigantes como a China, o maior produtor e importador de algodão do mundo. Por tudo isso, o produtor precisa ter uma boa gestão do seu negócio, entender melhor a cadeia de suprimento e estar sempre bem informado para se manter em atividade", afirma o presidente da Ampa, Milton Garbugio. Segundo ele, projetos como o "Estudo Estratégico da Cadeia de Suprimento do Setor do Algodão de Mato Grosso" são ferramentas importantes para a sustentabilidade da cotonicultura no Estado e consequentemente de toda a cadeia produtiva do algodão do País.