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Eventos reúnem representantes de 42 países

Após cinco dias de atividades que somaram 251 apresentações científicas oriundas de 42 países, a 6ª Conferência Mundial de Pesquisa em Algodão (WCRC-6) e a Conferência Bianual do Genoma do Algodão (ICGI) chegaram ao fim com um balanço positivo para a ciência e os participantes. O encerramento das plenárias, mesas-rendondas e painéis ocorreu com a cerimônia de agradecimento capitaneada pelo presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) e da Comissão Organizadora do WCRC-6, Luiz Renato Zapparoli.

"Tenho certeza de que essa rede de contatos vai aumentar a troca de conhecimento e, em breve, os resultados estarão disponíveis para que o algodão recupere sua cota de mercado, gerando renda, sobretudo, para os produtores”, declarou, ao afirmar que quanto mais forte for o mercado de algodão, mais recursos estarão disponíveis à pesquisa.

Lawrence Malinga veio de Johanesburgo, na África do Sul, para apresentar um painel sobre o controle de nematoides, um problema que incide sobre plantações de algodão em quase todo o mundo. Malinga destacou a última plenária do evento sobre o manejo integrado de combate a pragas, ministrada pelo Dr. Keshav Raj khranti, do Instituto Central de Pesquisa em Algodão, na Índia. “A África do Sul e a Índia enfrentam problemas similares quanto ao algodão. Por isso é importante aprender diferentes formas de combate a esses problemas que nos são comuns”, explicou.

Muitas pesquisas estavam voltadas para a melhoria de tecnologias para o plantio de algodão, outras para modelos sustentáveis de produção, fisiologia, proteção contra doenças e pragas, competitividade econômica, qualidade da fibra, o genoma do algodão, transferência de tecnologia e dinâmica social da produção no mundo. Outro grande debate foi sobre como melhorar a qualidade de vida de populações rurais a partir da produção do algodão, cultura que oferece um nível de sustentabilidade maior do que outras commodities agrícolas.

Mato Grosso esteve representado em Goiânia pelos produtores Paulo Sérgio Aguiar, Celso Griesang e Alessandro Polato, diretores da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), e pelos pesquisadores do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) Jean Louis Belot, Edson R. de Andrade Junior, Patricia Vilela, Jacob Crosariol Netto, Eduardo Barros, Rafael Galbieri e Alberto Souza. 

O diretor Polato, que assistiu a mais de 40 palestras, destacou os temas relacionados ao manejo de pragas do algodoeiro. Produtor de algodão na região de Primavera do Leste, Polato disse que os cotonicultores mato-grossenses (e do Brasil) devem ficar atentos ao que está ocorrendo hoje na Índia, maior produtor mundial de pluma, que está enfrentando a crescente resistência de pragas aos materiais BTs (transgênicos). Outros temas bastante enfatizados em Goiânia, segundo o produtor, foi a importância de se adotarem os princípios do manejo integrado de pragas (MIP) como forma de assegurar o futuro da cotonicultura e de haver mais critério em relação aos princípios ativos dos produtos agroquímicos hoje utilizados nas lavouras, visando reduzir os riscos de resistência de insetos-praga aos transgênicos.  

No sábado, duas comitivas de pesquisadores realizaram visitas técnicas para conferir como é a produção algodoeira goiana. Uma comitiva conheceu o laboratório de qualidade do algodão da Agopa e a estação experimental da Embrapa Algodão, em Santo Antônio de Goiás. Outra comitiva conheceu uma plantação na fazenda Pamplona, da empresa SLC Agrícola, que recentemente recebeu o certificado ISO 14001 de qualidade nos processos de produção.