A Circular Técnica nº 27/2016, lançada pelo Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), trata da “Mortalidade do bicudo-do-algodoeiro após contato em resíduo seco de diferentes inseticidas utilizados na cultura do algodão”. Elaborada pelos pesquisadores Eduardo Barros e Jacob Crosariol Netto, a publicação traz os resultados de dois experimentos laboratoriais realizados com inseticidas diversos, a fim de observar sua toxicidade em relação à praga.
Embora Mato Grosso seja o maior produtor nacional de algodão, cultivando na safra 2015/2016 aproximadamente 600,8 mil hectares (Conab, 2016), há diversos fatores que ameaçam o potencial de produtividade do algodoeiro. O ataque de pragas, como o bicudo-do-algodoeiro (considerado a maior praga da cotonicultura no país), é um dos fatores bióticos de perda de produção que se destaca.
Uma forte característica do bicudo é que ele passa a maior parte de sua vida protegido no interior das estruturas reprodutivas (durante as fases de ovo, larva e pupa), o que faz com que seja alvo de aplicações de inseticidas apenas na fase adulta. Para o controle da praga, é realizado um elevado número de aplicações: em Mato Grosso são, em média, 15 aplicações. No entanto, por se alimentar de botões florais, a praga fica protegida pelas brácteas e, por essa razão, as chances de atingi-lo com pulverizações são reduzidas.
“A maior chance de contaminação do bicudo-do-algodoeiro se dá por meio da contaminação via contato com o resíduo seco do produto, quando o inseto caminha sobre a planta pulverizada, o que justifica uma boa aplicação dos inseticidas”, observam os pesquisadores.
Para verificar essa mortalidade das pragas após exposição aos inseticidas, foram conduzidos dois ensaios com populações distintas do bicudo, coletadas nos Núcleos Regionais Centro Leste e Sul, submetidos a tratamento com, respectivamente, 24 e 28 inseticidas, listados em duas tabelas na Circular Técnica.
Os resultados dos ensaios são apresentados em duas figuras, que informam os tratamentos que resultaram em maior e menor taxa de mortalidade dos bicudos. Conforme o experimento, os pesquisadores sugerem que “as dosagens de bula recomendadas devem ser revistas, ou ainda um plano de bom uso dos piretroides deve ser iniciado, visando garantir a vida útil desses produtos”.
Além disso, os autores lembram ainda que, “para o bom controle do bicudo do algodoeiro, recomenda-se a rotação de inseticidas com diferentes modos de ação, o respeito à tecnologia de aplicação, o monitoramento constante e aplicações sequenciais, normalmente em número de três, com intervalos de cinco dias”.
O conteúdo completo da Circular Técnica nº 27, publicada com apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), pode ser conferido aqui ou diretamente nos sites da Ampa e IMAmt.