“Temos que ganhar no braço, porteira adentro, o que perdemos porteira afora”. Com essa frase, o pesquisador Joaquim Bento, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (USP), defendeu o uso de novas tecnologias para reduzir custos de produção. Bento destacou que o Brasil tem a vantagem de ser o único país do mundo a apresentar duas safras de algodão, incluindo o aproveitamento de áreas também usadas para o plantio de soja e milho.
Isso já acontece de forma intensificada em Mato Grosso, onde a área de algodão de segunda safra foi maior que a de plantio de primeira safra em 2012/13. Segundo Bento, esse modelo está se expandindo em outras áreas de produção do País.
“O algodão de segunda safra passa a ser tão importante quanto o de primeira safra”, destacou Bento. “O produto da nova safra começa a se igualar em qualidade ao da primeira safra”, complementou.
O pesquisador mencionou ainda que o novo ciclo de produção é marcado por uma elevação acentuada dos insumos. “Isso equivale a 50% dos custos de produção do algodão”, apontou. E detalhou que, no caso dos inseticidas, isso equivale a 35% dos custos.
Proteção de câmbio – Para o palestrante, os produtores precisam se prevenir contra as flutuações do mercado decorrentes da elevação do preço do dólar. Ele defendeu a contratação de seguro para evitar fortes impactos por causa do aumento do dólar em relação ao real.
Como defesa à variação do câmbio, Bento recomendou que os produtores procurem fazer compras antecipadas de insumos, em razão de que estes estão sujeitos à grande variação em função da queda do real diante do dólar.
Outra recomendação feita pelo pesquisador é no sentido de que os produtores procurem criar alternativas de plantio para se prevenir contra as flutuações de mercado.
“Cada vez mais devem alternar plantios de soja e algodão para se prevenir”, afirmou, mostrando estatísticas que mostram diferentes flutuações nas cotações das duas culturas.