O empresário Olacyr de Moraes faleceu na manhã desta terça-feira (16 de junho), na cidade de São Paulo, aos 84 anos. Ele lutava contra um câncer de pâncreas descoberto no início de 2014, mas acabou sucumbindo à doença. O corpo de Olacyr foi cremado.
Olacyr foi um ícone do empreendedorismo no Brasil e contribuiu para elevar o Brasil à posição de um dos maiores produtores agrícolas do mundo. Segundo informações de seu site, ele chegou a ter mais de 40 empresas nos setores agrícola, de construção civil e exploração de minérios.
Conhecido como "o Rei da Soja" por ter se tornado o maior produtor mundial do grão, Olacyr também tem seu nome inserido na história recente da cotonicultura, como um dos pioneiros do cultivo do algodão num modelo empresarial. No final da década de 1980, o paranaense Ignácio Mammana Netto sugeriu ao amigo Olacyr o plantio do algodoeiro na fazenda Itanorte, como alternativa à monocultura da soja. As primeiras lavouras utilizaram a variedade IAC 20, porém uma doença fúngica (a ramulose) alterou os planos de Olacyr e Ignácio – que também cultivava o algodoeiro em sua fazenda Cantagalo – após a safra 1990/91.
Ignácio acabou se transferindo para o Sul de Mato Grosso, a convite dos agricultores Benjamin Zandonadi e Mário Patriota Fiori, enquanto Olacyr permaneceu na região de Campo Novo do Parecis e investiu recursos próprios numa pesquisa que culminou com o lançamento da variedade CNPA ITA 90 pelo Centro Nacional de Pesquisa de Algodão (atual Embrapa Algodão) – um trabalho conduzido pelo pesquisador Eleusio Curvelo Freire.
Essa história foi resgatada por ocasião da inauguração do Edifício Cloves Vettorato, em Cuiabá, em agosto de 2014, quando Olacyr e outros pioneiros da cotonicultura – como seu amigo Ignácio Mammana Netto, já falecido, Zandonadi, Mario Patriota Fiori e Adílton Sachetti – foram homenageados. Seus nomes batizam a sala de reuniões da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).
A experiência pioneira de plantio de algodão no Chapadão do Parecis contribuiu para que Mato Grosso se tornasse o maior produtor brasileiro de pluma e para que o País trocasse a posição de importador de pluma para se firmar no ranking dos cinco maiores exportadores.