A partir de 1º de janeiro, o carioca José Sette será o novo diretor executivo do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC na sigla em inglês) em substituição ao norte-americano Terry Towsend. Com vasta experiência em comércio internacional, ele foi escolhido por seus méritos por uma força-tarefa composta por representantes de 21 países-membros do ICAC e será o sexto diretor executivo desde a fundação do Comitê em 1947.
Nos últimos meses, Sette participou de eventos do ICAC, como a 72ª Reunião Plenária realizada em Bogotá, em outubro passado, e fez uma espécie de imersão em assuntos relacionados à cotonicultura. Nesse período, acompanhou o 9º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em Brasília, em setembro, e fez questão de conhecer de perto a produção de fibra desde a lavoura. Para isso, esteve em Mato Grosso em agosto, onde visitou uma fazenda, uma algodoeira, uma indústria de fiação, laboratórios de análise e classificação da pluma e a Unidade Experimental do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), nos municípios de Campo Verde e Primavera do Leste, em companhia de lideranças da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).
Nesta entrevista por email, Sette fala um pouco sobre esse período de preparação para assumir o cargo mais importante do ICAC – entidade de referência para a cadeia de valor do algodão em nível mundial. Também aborda quais deverão ser os principais desafios à frente do ICAC.
"Minha candidatura ao cargo de diretor executivo do ICAC se fundamentou em uma crença de que os organismos internacionais de produtos de base têm uma função indispensável e singular dentro da economia mundial. Tenho certeza que o ICAC pode contribuir muito para o desenvolvimento do setor algodoeiro mundial. Por isso, encaro com grande entusiasmo esta responsabilidade, que constitui o maior desafio de minha vida profissional", afirma Sette.
Ampa – Quais foram suas principais impressões sobre o setor algodoeiro?
José Sette – O processo de transição dentro do ICAC foi estruturado de forma a me possibilitar uma gama muito rica de experiências, desde visitas a zonas produtoras que praticam formas de cultivo avançadas em propriedades extensas, como em Mato Grosso, a outras onde predomina o cultivo em pequena escala e com produtividade muito menor, exemplificadas pela Índia. Durante esse processo, também pude constatar a altíssima complexidade da cadeia de valor do algodão, que abrange um número de etapas muito maior do que a maioria dos outros produtos agrícolas. Além disso, conheci as diversas personalidades que tornam o algodão um produto tão fascinante.
Ampa – Com base no que o senhor viu em 2013, quais serão seus maiores desafios como diretor executivo do ICAC ?
José Sette – Há dois tipos de desafios: os institucionais,dentro do ICAC, e aqueles enfrentados pelo setor como um todo.
No plano interno, o ICAC tem uma estrutura enxuta e eficiente, e presta serviços relevantes a seus membros. Importantes desafios no curto prazo serão a negociação da entrada da União Europeia como membro único, em substituição aos países europeus individuais que já participam do ICAC, e a necessidade permanente de atrair a adesão de novos membros. Além disso, é preciso encontrar novas fontes de financiamento para os projetos de desenvolvimento patrocinados pelo ICAC, uma vez que a principal fonte utilizada até o presente, o Fundo Comum de Produtos de Base, está impossibilitado de continuar a dar um apoio mais efetivo.
Em um plano mais geral, entre os múltiplos desafios enfrentados pelo setor, destacaria dois: a necessidade de aumentar a produtividade do cultivo ao redor do mundo, de uma maneira sustentável, e o estímulo ao aumento da demanda pelo produto, que cresce a taxas aquém do que seria desejável.