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Pesquisador do IMAmt é premiado nos EUA

As regiões produtores de algodão em Mato Grosso ainda não enfrentam problemas relacionados à alta temperatura, porém, com o aumento da área de algodão de segunda safra (plantado a partir de meados de janeiro, em sucessão às lavouras de soja), a quantidade de água disponível para as plantas é menor e as altas temperaturas podem passar a ser um problema, especialmente em regiões de baixa altitude.

Nesse contexto, cresce a importância do trabalho apresentado pelo pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), Fábio Echer, na Beltwide Cotton Conference, realizada em Nova Orleans, no estado norte-americano da Lousiana, este mês.  Intitulado "PSII Quantum Yield (Ф) of Cotton Leaves Under Heat Stress" (Eficiência quântica do fotossistema II de folhas de algodão sob estresse térmico), o trabalho foi o trabalho premiado na Conferência de Fisiologia do evento (em terceiro lugar).

A pesquisa foi realizada em câmaras de crescimento do Laboratório de Fisiologia de Algodão, em Fayetteville, na Universidade do Arkansas (UA), durante o período do programa de doutorado sanduíche do pesquisador Fábio R. Echer, sob a supervisão do Dr. Derrick M. Oosterhuis (UA) e em colaboração com os pesquisadores Dimitra Loka (UA) e Ciro Rosolem (Unesp). O objetivo do trabalho, segundo Echer, era investigar em qual fase fenológica o algodoeiro era mais susceptível ao aumento da temperatura noturna (29 ºC): se no início do estádio de botão floral ou no início do florescimento. 

"Pudemos concluir que a maior susceptibilidade do algodoeiro ao aumento da temperatura noturna foi durante a fase de botão floral, mas após o fim do período de estresse, as plantas que foram submetidas ao aumento da temperatura noturna tanto na fase de botão floral quanto na fase de florescimento apresentaram melhor desempenho quântico do fotossistema II em resposta ao aumento da temperatura da folha", explica o pesquisador do IMAmt. De acordo com Echer, a aclimatação permitiu que a planta ajustasse o seu metabolismo, criando mecanismos para prevenir/remediar futuros danos causados pelo aumento da temperatura.

"Esses resultados nos permitem criar estratégias de convivência com as constantes variações climáticas que vem ocorrendo nas regiões cotonicultoras ao redor do mundo, sendo que o aumento da temperatura é uma delas", afirma.  O pesquisador diz que dentre essas estratégias estão o ajuste da época de semeadura (escape), pois conhecendo o histórico climático da região os produtores podem cultivar o algodoeiro nas épocas menos propensas à ocorrência de altas temperaturas. Outra possibilidade é utilizar o melhoramento genético como ferramenta para seleção de genótipos mais tolerantes às temperaturas elevadas.

Echer lembra que a água desempenha um papel fundamental no controle da temperatura do algodoeiro, pois cerca de 90% da água absorvida pela planta é utilizada para ajustar a temperatura do dossel, permitindo que a máxima taxa fotossintética seja alcançada. "Se ela não estiver disponível em quantidade suficiente, a planta sofrerá com o estresse hídrico e o térmico, havendo prejuízos na produtividade e qualidade da fibra", alerta Echer.

Os resultados completos do estudo serão publicados em breve na revista científica "Journal of Agronomy and Crop Science" .