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Piccoli faz palestra no 10º CBA

Apesar da elevação dos custos nas últimas safras e da tendência de redução de área em outros estados produtores de algodão, Mato Grosso deverá ampliar ligeiramente sua área de plantio na safra 2015/16. A informação foi dada por Gustavo Piccoli, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), durante mesa-redonda que reuniu os principais dirigentes dos três maiores estados produtores de pluma (MT, Bahia e Goiás) durante o 10º Congresso Brasileiro do Algodão, em Foz do Iguaçu.

Ao fazer a “Análise das safras 2013/14 e 2014/15: produtividade, custos, qualidade e rentabilidade”, Piccoli reconheceu desafios importantes da cotonicultura mato-grossense (como o controle do bicudo-do-algodoeiro, de nematoides e outras doenças, e a melhoria contínua da qualidade da fibra), porém disse que o clima tem favorecido a produção de algodão no estado, principalmente a produtividade das lavouras de segunda safra (semeado após a soja), que hoje respondem por 76% do total plantado na safra atual (área superior a 564 mil ha).

“O prolongamento das chuvas nas safras 2013/14 e 2014/15 favoreceu o cultivo de segunda safra. A produtividade média de Mato Grosso é de 1.550 kg de algodão em pluma/ha – uma das maiores em termos mundiais para algodão de sequeiro”, afirmou. Segundo Piccoli, a crescente participação do algodão de segunda safra no estado, com uma relação de custo/benefício melhor, é responsável pelo fato de os associados da Ampa estarem dispostos a aumentar a área de plantio na safra 2015/16.

“Mato Grosso tem um grande potencial de crescimento em relação ao cultivo do algodoeiro. Se 10% da área de plantio de soja (que é hoje de 9 milhões de hectares) fossem destinados ao plantio de algodão de segunda safra, nosso estado teria uma área equivalente à do Brasil inteiro nesta safra”, comentou Piccoli.

Em sua apresentação no 10º CBA, o presidente da Ampa falou sobre projetos que vêm sendo executados pelo Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), com apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), para superar alguns dos desafios da cotonicultura. Ele mencionou o projeto de Controle Efetivo do Bicudo e a proposta de um projeto visando à implantação de uma plataforma de transformação genética para obtenção de variedades de algodão geneticamente modificados visando o controle da praga. Destacou também o projeto de monitoramento de patógenos vinculados ao solo, responsáveis pela ocorrência de nematoides e de doenças como a murcha de fusarium e mofo branco.

Piccoli falou ainda sobre a preocupação da Ampa com a melhoria contínua da qualidade da pluma mato-grossense e solução de problemas como a tendência de aumento de fibras curtas, que prejudica a indústria têxtil. As razões desse problema estão sendo identificadas pelo projeto de Qualidade de Fibra do Algodão de Mato Grosso, executado pelo IMAmt, e uma das soluções propostas é a criação de uma Escola de Beneficiamento no estado.

“Precisamos treinar melhor os trabalhadores e operadores das unidades de beneficiamento a fim de preservar melhor a qualidade da fibra no descaroçamento”, disse Piccoli.

A mesa-redonda em que foi feita a análise das safras 2013/14 e 2014/15 foi coordenada por Arlindo Moura, vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), e contou com a participação de Celestino Zanella e Luis Renato Zapparoli, respectivamente, presidentes da Abapa e da Agopa, as estaduais da Bahia e de Goiás.