A demanda mundial por algodão supera a produção pelo segundo ano consecutivo, segundo a Declaração final da 75ª Reunião Plenária do Conselho Consultivo Internacional do Algodão (Icac na sigla em inglês). Realizado em Islamabad, no Paquistão, entre o dia 30 de outubro e 3 de novembro, com o tema "Emerging Dynamics in Cotton: Enhancing Sustainability in the Cotton Value Chain" (Dinâmicas emergentes no algodão: aumentando a sustentabilidade na cadeia de valor do algodão), o evento reuniu 378 pessoas, incluindo representantes de 14 países-membros, de quatro países não-membros e de quatro organizações internacionais.
Segundo a Declaração, que é um registro dos principais pontos abordados ao longo da semana, a produção de algodão em 2015/16 – estimada em pouco mais de 21 milhões de toneladas – caiu devido a ataques de pragas, preços mais competitivos de outras culturas e mudanças climáticas, entre outros fatores, levando a uma redução nos estoques mundiais de pluma. "Embora os estoques ainda estejam mais altos do que o usual, o excesso de oferta começou a ser reduzido", argumenta a Secretaria do Icac na Declaração Final. O consumo mundial na safra 2015/16 foi estimado em 23,8 milhões de toneladas. A cotonicultura, entretanto, continua sendo confrontada por um ambiente extremamente desafiador e competitivo, diz o Icac.
A competição com o poliéster foi apontada como a maior ameaça à fibra natural em termos de mercado pela Declaração Final do Icac. O documento aponta que a fatia de mercado ocupada por essa fibra sintética vem crescendo por conta dos preços mais baratos (em consequência da queda na cotação do petróleo), entre outros fatores.
"Para se manterem competitivos, os produtores de algodão devem inovar, adotar e implementar tecnologias de ponta para melhorarem a produtividade a custos menores", diz a Secretaria do Icac. O órgão exorta os governos dos países produtores a investirem em políticas públicas que permitam que os preços se estabeleçam de acordo com as forças do mercado, a aumentarem os investimentos na pesquisa e a implementarem normas reguladoras baseadas na ciência que permitam o desenvolvimento tecnológico.
Os três desafios básicos da indústria têxtil também foi um ponto abordado em Islamabad pelo representante da ITMF (Internacional Textile Manufacturers Federation): água, energia e a demanda por ideias criativas. Segundo a Secretaria do Icac, esses desafios também são enfrentados pela cotonicultura, que deve desenvolver urgentemente variedades com menor demanda hídrica, reduzir o consumo de energia em usinas de beneficiamento e no transporte da pluma, e também investir em novas ideias visando principalmente aumentar a eficiência na produção e reduzir custos.
Ficou definido que a próxima Reunião Plenária do Icac acontecerá em 2017, no Uzbequistão – pais que integrava a antiga União Soviética.
A íntegra da Declaração Final da 75ª Reunião Plenária do ICAC pode ser acessada aqui.