A Resolução Normativa nº 687 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 24 de novembro de 2015, que alterou a Resolução Normativa nº 482, de 17 de abril de 2012, gerou a possibilidade de redução dos custos de energia elétrica, – um item que onera os brasileiros em geral e, especialmente, os produtores rurais. Para falar sobre alternativas de redução desses custos em fazendas, algodoeiras e outras unidades rurais, por meio de geração compartilhada, a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e a Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) promoveram duas palestras em Cuiabá, nesta quarta-feira (20 de abril).
A primeira ficou a cargo do engenheiro eletricista Janderson Botelho da Fonseca, consultor na área de Conservação de Energia Elétrica. Ele disse que as alterações feitas viabilizaram a geração distribuída e o sistema de compensação de energia elétrica.
"Hoje um produtor de algodão gasta aproximadamente R$ 450,00 por megawatt/hora. Se ele se juntar a outros produtores para viabilizar um sistema de compensação de energia – que pode ser através da geração de energia hidroelétrica, termoelétrica ou fotovoltaica (energia solar) – poderá economizar até 90%", afirmou o consultor. Ele explicou que o tempo necessário para o retorno do investimento pode durar de dois a quatro anos dependendo do tipo de energia gerada. "Cada caso é um caso", disse. O engenheiro informou que há linhas de financiamento disponíveis para esse tipo de investimento e ainda isenção de cobrança de impostos, mas ressaltou que a energia gerada não pode ser comercializada, já que é só para o consumo do grupo. A economia virá por meio de um sistema de compensação.
Na opinião de Fonseca, no caso do setor algodoeiro a proposta mais viável é trabalhar com um sistema híbrido, com utilização de 75% de energia hidroelétrica e 25% de fonte térmica. O engenheiro argumentou que o pico de consumo das usinas de beneficiamento ocorre no período mais seco do ano (entre agosto e outubro), que é justamente a época de menor geração de energia hidroelétrica.
A segunda palestra foi feita pelo engenheiro mecânico Silvio Dalmolin que detalhou o tema "Micro geração de energia a partir de biomassa florestal", apresentando alternativas para gerar energia termoelétrica utilizando resíduos agrícolas (inclusive da produção de algodão), entre outras fontes.
Antonio Marcos do Nascimento, cogerente de Fiação da Cooperfibra, veio de Campo Verde para a assistir às palestras e ficou muito interessado nas alternativas apresentadas. Ele explicou que a redução de custos com a energia utilizada na indústria de fiação é uma preocupação constante dos cooperados.