O bom momento que a agricultura brasileira vive, inclusive com projeções de superarmos a produção de 200 milhões de toneladas de grãos na safra 2013/2014, tropeça no verdadeiro apagão logístico que se agravou este ano. Mas os problemas, principalmente em relação à infraestrutura de armazenagem e transporte, têm solução a médio prazo se houver planejamento e esforço conjunto entre governo e iniciativa privada. A opinião é do presidente da Macrologística Consultoria, Renato Pavan, que apresentará seus estudos na plenária "Logística e Competitividade", durante o 9º Congresso Brasileiro do Algodão, que acontecerá em Brasília entre os dias 3 e 6 de setembro.
Para Pavan, seriam necessários investimentos de R$ 75 bilhões para sanar o atraso logístico que o Brasil enfrenta no momento. "Um estudo encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) levantou os projetos estratégicos de logística em todas as cinco regiões brasileiras", lembra. "A conclusão foi que, em média, cada região tem que investir em 20 obras a um custo, por região, de R$ 15 bilhões."
Pelos cálculos do empresário, se as obras fossem feitas simultaneamente, em cinco anos seria possível zerar o déficit atual em infraestrutura e logística, e o retorno dos investimentos seria rápido. "Esses investimentos gerariam uma economia anual de R$ 4 bilhões por região, o que representaria um total de R$ 20 bilhões em apenas um ano", calcula.
Pavan destaca a necessidade de obras urgentes como o asfaltamento das rodovias BR- 158 e 163, no Centro-Oeste, a ferrovia Açailândia/Vila do Conde (MA-PA), e as hidrovias do Tocantins e Tapajós/Teles Pires.
"Além disso, a armazenagem também sofre uma defasagem muito grande em comparação com os constantes aumentos da produção nacional e precisa ser olhada com mais atenção por todos", afirma.
O Brasil conta com transporte basicamente rodoviário. As rodovias equivalem a 60% do total, ferrovias a 30% e hidrovias a 7%. Nessa mesma ordem está o valor, sendo o transporte rodoviário o mais caro e o hidroviário o mais barato. Já nos Estados Unidos, um dos principais concorrentes da produção brasileira, a ordem é inversa. O transporte mais usado no país é o de hidrovias.
Essa diferença de logística tira a nossa competitividade. Em termos comparativos, se nos Estados Unidos forem gastos de US$ 18 a US$ 20 por tonelada transportada numa terminada distância, no Brasil, o produtor terá que investir até US$ 120 para percorrer um trecho equivalente. "Precisamos olhar com atenção o sistema de armazenagem e escoamento da produção de nossos concorrentes internacionais para sermos mais competitivos e garantirmos mercado lá fora", conclui Pavan.
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9º Congresso Brasileiro do Algodão
Promoção: Abrapa – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão/ Realização: AMPA – Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão/ Organização: Ponto Expo Eventos e Congressos / Data: 3 a 6 de setembro de 2013/ Local: Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada/ Fone: (11) 5052-0296/ Email: [email protected]
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