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Termina a Missão Técnica no Texas

Os integrantes da Missão Técnica ao Texas, promovida pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), retornaram ao Brasil nesta segunda-feira (12 de setembro) com muitas informações sobre novas tecnologias voltadas à cotonicultura e possibilidades de intercâmbio com duas universidades de ponta: a Texas Tech University em Lubbock e a Texas A&M University (TAMU) em College Station.

Durante sua estadia no Texas, o grupo  – integrado por Gustavo Piccoli, presidente da Ampa, diretores da entidade, produtores associados, representantes da nova geração de cotonicultores e por Jean Louis Belot, pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) – visitou ainda a unidade da Lummus, líder mundial no fornecimento de máquinas para o beneficiamento do algodão, e a unidade de Cotton Production e Processing Research do USDA (o Ministério da Agricultura norte-americano), em Lubbock.

O último compromisso da viagem foi a visita à Texas A&M University (TAMU) em College Station, considerada uma das maiores dos Estados Unidos (cerca de 55 mil alunos) e uma das mais importantes do país em termos de pesquisas voltadas para a produção algodoeira. Durante um dia e meio, a comitiva de 18 pessoas foi recebida pelo diretor de Negócios Internacionais da TAMU e vários professores e pesquisadores do Departamento de Ciência da Planta (Plant Science), que apresentaram os programas de pesquisa e alguns de seus resultados.

Os produtores mato-grossenses tiveram a oportunidade de visitar o Departamento de Entomologia da TAMU, onde puderam conhecer trabalhos voltados para as pragas do algodoeiro, entre eles, resultados apresentados pelo professor Sword sobre a identificação de fungos endofiticos que permitam à planta (de algodão ou outras) resistir melhor a certos estresses. Na ocasião, também receberam informações sobre o bicudo do algodoeiro que, apesar de ter sido erradicado da maioria dos estados norte-americanos, preocupa os pesquisadores dos EUA por conta de reinfestações da praga no Sul do Texas a partir do México, o que obriga essas regiões a continuarem investindo muitos recursos no programa voltado para o combate ao inseto.  Os visitantes ainda tiveram a chance de conhecer trabalhos em transgenia do algodoeiro, com tecnologias de RNAi e CRISPR/Cas9, para controle de nematoides ou doenças, apresentados pelo professor Rathore, que desenvolveu o algodão transgénico sem gossipol no caroço. 

Na TAMU, a exemplo do que ocorreu na Texas Tech University (em Lubbock), a comitiva de Mato Grosso conheceu possibilidades de intercâmbio para estudantes brasileiros, que é um dos objetivos da Missão Técnica ao Texas. "A TAMU também demonstrou muito interesse em abrir as suas portas para receber estudantes de Mato Grosso e outros estados brasileiros. Em face da excelência das suas pesquisas na área do algodão e de sua estrutura de ensino, essa universidade pode oferecer excelentes oportunidades para o desenvolvimento de pesquisas de comum interesse entre Brasil e os EUA", afirma Gustavo Piccoli. De acordo com o presidente, um modelo de colaboração foi apresentado pelo Dr. Avant, diretor de Negócios Internacionais da TAMU, e deverá ser discutido pela Ampa e levado à Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Ampa). Porém, o primeiro requisito para os candidatos a qualquer programa de intercâmbio será ter um bom nível em inglês e passar nas provas do departamento de admissão.

 

Comércio internacional e drones – A TAMU é referência em comércio internacional e as principais tendências para fibra de algodão foram apresentadas por três professores do Departamento de Economia. O professor Luis Ribera apresentou estudos sobre a comercialização de diversos produtos agrícolas e o impacto causado pela ampliação do Canal do Panamá. Ele também mostrou os resultados de um estudo em que fez a comparação entre a rentabilidade dos cultivos algodoeiros nos EUA e em diversos países da América do Sul. Ribera irá conduzir um estudo sobre as perspectivas de evolução dos intercâmbios de produtos agrícolas entre Brasil e EUA para os próximos 25 anos.

O grupo de Mato Grosso também recebeu informações sobre pesquisas nas áreas de melhoramento genético e recursos genéticos (por meio do Prof. Wayne Smith), tendo conhecido estudos em genômica realizados pelo pesquisador David Stelly visando criar nova variabilidade dentro do germoplasma do algodoeiro a partir de outras espécies de Gossypium e fornecer ferramentas moleculares para ajudar os programas de melhoramento.

Segundo Jean Louis Belot, uma rede de pesquisa muito forte foi criada na TAMU para tratar de análise de imagens e agricultura de precisão. "O foco é dessa rede é desenvolver tecnologias de captura de imagens de diversos tipos com drones e ter uma plataforma de informática capaz de tratar rapidamente uma grande quantidade de dados. A qualidade e quantidade dos pesquisadores envolvidos nessas redes é impressionante", comenta Belot. Num primeiro tempo, os esforços são direcionados para resolver objetivos de pesquisa em pequena escala, mas futuramente essa rede contribuirá para o desenvolvimento de ferramentas de agricultura de precisão para o produtor de algodão.

A comitiva mato-grossense na Missão Técnica ao Texas foi integrada pelos diretores da Ampa Sérgio Introvini, Alexandre Schenkel, Valdir Jacobovski, Cleto Webler, Alessandro Polato e Arilton Riedi; pelos produtores Jackson Schenkel, Vinícius Garbugio, Marcelo de Aguiar e Tiago Piazza Carlott; por Décio Tocantins, diretor executivo da Ampa, e pelos jovens Eduardo Schein, Gabriel Gustavo Piccoli, Igor Riedi, Adecrésio Pedro de Aguiar Neto e Sara Introvini.