Já está em vigor a portaria do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) que prorroga para 1º de outubro a data do início do vazio sanitário para a cultura do algodoeiro. A portaria Indea-MT nº 072/2013, assinada pela presidente do órgão, Maria Auxiliadora Diniz, confirma que o período de vazio sanitário para essa cultura se estenderá até 30 de novembro.
A alteração na data de início do vazio sanitário foi solicitada pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) na semana passada, com base em mudanças no cenário técnico e econômico da cultura do algodoeiro nos últimos anos que levaram os produtores a aumentar a área de algodão de segunda safra. Na safra 2012/13, a área de plantio de algodão de segunda safra fechou em 315.568 ha, enquanto o plantio de primeira safra ocupou uma área de 138.425 ha (total de 453.993 ha). A extensão do ciclo da cultura, segundo a AMPA, provocou um retardo no processo de colheita.
"O importante agora é que os produtores de algodão mato-grossenses concluam a destruição dos restos culturais do algodoeiro de forma eficiente", comenta o presidente da AMPA, Milton Garbugio, a respeito da mudança na data de início do vazio sanitário, previsto para o dia 15 passado. Ele ressalta que a destruição dos restos culturais é fundamental na prevenção e controle de pragas.
A destruição de soqueiras e plantas guaxas do algodoeiro, segundo pesquisadores do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), impede a chamada "ponte verde" ou ponte biológica, deixando de fornecer alimento e abrigo aos insetos-praga no período que antecede a safra seguinte, o que reduz a pressão sobre a cultura do algodoeiro.
"Se o agricultor não fizer o seu dever de casa, certamente o ataque de lagartas do gênero Helicoverpa será bem mais intenso, causando prejuízos não só às lavouras de algodão em Mato Grosso como às de outras culturas", alerta Garbugio diante das característica da lagarta Helicoverpa armigera, que é mais voraz que outras lagartas-praga e se alimenta de diversas plantas. Além de questões relacionadas a pragas, os pesquisadores também alertam para doenças causadas por fungos, vírus e bactérias, pois patógenos sobrevivem nessas plantas na entressafra e podem causar doenças já no início da safra seguinte em alta pressão.