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Vazio sanitário também é tema do debate

Prestes a iniciarem o plantio da safra 2015/16, já que o período de vazio sanitário do algodão terminou nessa segunda-feira (30 de novembro), produtores, gestores e técnicos de fazendas dos associados à Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão), reuniram-se em Cuiabá com pesquisadores e assessores técnicos regionais (ATRs), entre outros integrantes dos Grupos Técnicos de Algodão (GTAs), para fazer um balanço da destruição dos restos culturais do algodoeiro na safra 2014/15 e debater a atual legislação estadual sobre o vazio sanitário em Mato Grosso.

Promovido pelo Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), o evento agradou aos participantes pela metodologia adotada e a importância do tema, já que a eliminação bem-feita dos restos culturais após a colheita é considerada fundamental para reduzir a população de pragas e doenças que se desenvolvem nas plantas rebrotadas, entre elas, o bicudo-do-algodoeiro, considerado a principal praga da cotonicultura.

"Gostei muito da reunião, mas precisamos partir para ações definitivas o quanto antes. Temos que ser mais disciplinados e não podemos atender às necessidades de cada produtor se quisermos ter sustentabilidade na produção de algodão em Mato Grosso", resumiu Orcival Guimarães, presidente do Núcleo Regional Norte, que reúne grupos associados à Ampa de municípios como Lucas do Rio Verde e Sorriso.

Na avaliação dos assessores técnicos regionais (ATRs), a destruição dos restos culturais melhorou em comparação com o ano passado e os produtores, de modo geral, demonstraram estar mais conscientes quanto à importância dessa prática para reduzir a pressão de pragas e doenças na safra que ora se inicia, embora ainda tenham ocorrido situações que deixaram a desejar. Alguns ATRs acrescentam que o clima seco no período de entressafra do algodão não favoreceu a destruição dos restos culturais. "A eficiência do método químico depende da umidade e as condições ideais só foram acontecer em meados de novembro, quando apareceram as plantas tigueras", comenta o ATR Félix Kmiecik, do Núcleo Regional Norte (região de Sorriso). 

Na opinião de Renato Tachinardi, ATR do Núcleo Regional Centro (região de Campo Verde), "o fator clima não foi decisivo", já que houve muitas áreas que fizeram o trabalho de forma eficiente. "Mas houve também que ficou esperando os rebrotes para fazer a primeira aplicação de herbicidas e houve quem afrouxou o controle na reta final", diz. Mesmo assim, Tachinardi acredita que "a melhoria na destruição dos restos culturais este ano impediu que a situação ficasse mais grave" diante da pressão provocada pelo aumento na população de bicudos e outros insetos em comparação com o período de entressafra em 2014.

Durante o encontro, que contou com a participação do diretor executivo do IMAmt, Alvaro Salles, os representantes dos seis núcleos regionais de produção algodoeira em Mato Grosso assistiram às apresentações dos pesquisadores do IMAmt, Edson Ricardo de Andrade Junior e Eduardo Barros. O primeiro falou sobre os resultados do estudo que avaliou a eficiência nos métodos utilizados na destruição dos restos culturais (soqueiras e plantas tigueras) no final da safra 2014/15. Atualmente, cerca de 70% da soqueira do algodoeiro é destruída de forma química, com o uso de herbicidas, mas, de acordo com o levantamento, o clima é um fator importante no sucesso da destruição, a maioria das fazendas precisa associar os métodos químico e mecânico, e nenhum dos tratamentos adotados tem 100% de êxito, sobretudo com a crescente adoção de variedades transgênicas resistentes a herbicidas não seletivos.

Ampa - Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão.

As dificuldades enfrentadas no campo levam a gastos cada vez maiores com a destruição dos restos culturais do algodoeiro e a uma frustração no principal objetivo da medida: a quebra do ciclo biológico das plantas (o algodoeiro é uma cultura perene) e, consequentemente, a eliminação da chamada "ponte verde" que favorece a proliferação de pragas e doenças no início da safra subsequente. "Percebemos que a pressão de pragas – bicudo, cochonilhas e pulgões, principalmente – está muito grande nos rebrotes", comentou o entomologista Eduardo Barros.

Vazio sanitário– Após as apresentações, que incluíram representantes de duas empresas que desenvolvem implementos para a destruição mecânica dos restos culturais do algodoeiro e do representante do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), os participantes dos GTAs dividiram-se em grupos para discutir problemas enfrentados no período da entressafra do algodão, encerrado em 30 de novembro, e também a legislação em vigor em Mato Grosso sobre vazio sanitário.

Após o almoço, o líder de cada um dos cinco grupos apresentou os pontos críticos de cada região produtora de algodão, que serão avaliados pelo IMAmt, de modo a dar continuidade ao trabalho e uma resposta aos associados da Ampa o quanto antes, segundo o engenheiro agrônomo Márcio de Souza, que coordenou o trabalho junto com o pesquisador Edson de Andrade Junior.

Na avaliação de Ronaldo Medeiros, coordenador de Defesa Vegetal do Indea-MT, esse debate e a aproximação com produtores e todos que estão na linha de frente da produção algodoeira no estado são muito positivos.

"Estamos trabalhando com uma legislação de 2009, quando praticamente não existia segunda safra de algodão em Mato Grosso (hoje a segunda safra, plantada em sucessão à soja, corresponde a cerca de 80% do total da produção). Cabe a nós ouvir vocês para criarmos o arcabouço legal a fim de que o novo perfil de plantio não traga problemas para o controle de pragas como o bicudo-do-algodoeiro", comentou Medeiros. Segundo ele, os principais pontos em discussão dizem respeito ao período de vigência do vazio sanitário do algodoeiro (hoje fixado entre 16 de setembro e 30 de novembro para todas as regiões produtoras de algodão) e também à definição do que é planta viva.